Equipe

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Brunna Stock
colunista de comportamento

Exata e humana. Inquieta. Várias em uma só. Daquelas que perde todas as chances de ficar em silêncio, mas que pensa em cada palavra. De ser tanto, às vezes transbordo – e, então, me torno escrita.
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Cassiano Rodka
escritor, ilustrador e colunista de música e quadrinhos

Desde pequeno, me vi rodeado por palavras. Estavam lá em toda parte, nas placas de rua, na biblioteca do meu pai, nas receitas da minha mãe e nas revistas em quadrinhos que eu colecionava. Havia uma vontade imensa de decifrar aqueles símbolos, de desvendar as histórias contidas naquelas páginas. Um dia, de dentro de um ônibus, eu li. Simplesmente li. “Lux”. “Rádio Lux”. Era o nome de uma loja de eletrônicos. Minha mãe estava ao meu lado e não entendeu nada. Eu também não tinha ideia de como aquilo tinha acontecido, mas eu estava lendo e isso me bastava. “Estacionamento”. “Pare”. “Liquidação”. “Táxi”. Continuei até chegar em casa, onde corri para as minhas revistinhas. Desde então, não parei de ler. E decidi criar eu mesmo algumas histórias.
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Clarice Casado
escritora

O escritor é um amante das próprias palavras. Tem com elas uma oscilante relação de amor e ódio, deslumbramento e decepção, ternura e raiva, medo e coragem. Comecei a escrever para aprender a fazer leituras de mim mesma. Não sei a quantas andava, nem bem o que eu fazia quando as palavras que moravam dentro de mim começaram a querer sair. Quem tem muita vida interior não aguenta, precisa deixar tudo que em si habita fugir algum dia. Comigo, foi assim: um dia, as minhas palavras não-ditas e os meus gestos não-feitos não mais me pertenciam. A partir dali, eu era outra: era escritora. Demorei para me aceitar como uma. E assim, sigo, procurando-me em contos, decifrando-me nos poemas, desnudando-me nas crônicas. Lendo-me, sempre. Convido-os a invadir-me.
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Isabel Dall’Agnol
escritora e ilustradora

Passou a vida inteira se questionando. E ainda o faz. Criava conceitos a respeito da tão buscada felicidade com base em tudo aquilo que lhe diziam ser preciso para tanto. Assim, nunca parou para refletir sobre o que, de fato, lhe traria alegrias. E se ela não quisesse sair correndo atrás dessa utopia só para dizer que estava completa?! Sentia-se tão confusa e tão pequena. Isso doía tanto, que decidiu engavetar seus sentimentos, escondê-los em lugares que desconhecia. Por isso, não os encontrava mais. Mas, às vezes, de alguma forma, quase que invisível, eles a assombravam. Foi, então, que descobriu o poder das palavras. Percebeu que, com elas, poderia encontrar tudo aquilo que parecia estar perdido. E, o que era ainda melhor, percebeu que, juntas, poderiam desvendar tudo aquilo que lhe faltava, criar histórias, personagens, cenários, ocasiões, enfim, inventar um mundo novo. Pegou algumas folhas e uma caneta. Deitou-se no chão. Começou a escrever.
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José Calimero
ilustrador

Eu amo fotografia e fotografar. Antes mesmo de nascer, aquela que ainda não sabia, porém seria a minha madrinha, Doda, já havia me presentado com uma Kodak Instamatic 11. Com 10 anos de idade, eu já andava por aí acompanhado de uma câmera. Hoje, mais de 30 anos depois, a violência limita um pouco o uso ostensivo da câmera pelas ruas, mas sempre tenho meu fiel celular para garantir bons registros. A fotografia é minha forma de capturar tudo que me intriga e me representa, de olhar e registrar o que ninguém vê, aquilo que não é óbvio. Minhas fotos serão minha melhor herança e compartilhar com as pessoas mais diversas é um meio de multiplicar essa alegria inigualável.
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Marcella Marx
escritora

No meio da noite acordava, ia esbarrando em móveis, derrubando enfeites sobre a escrivaninha, até tatear uma caneta. Com a outra mão arrancava um pedaço de papel de um caderno da escola. Precisava libertar os monstros e os anjos antes de deitar sua cabeça no travesseiro. Repetia-se a todas as noites aquela rotina. Certa manhã, olhando seu porta retrato favorito partido ao meio, decidiu: dormiria com caderno e caneta sobre o criado mudo. A partir daí, Marcella passou a sonhar acordada.
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Pedro Cunha
colunista de cinema e quadrinhos

Quem sou eu? Alguém que tomaria um café com Woody Allen. Um chopp com Tarantino. Um vinho com Kubrick. Um whisky com Eastwood. Sem gelo, claro. Uma Coca Zero com Spielberg. Um chá com Hitchcock. Um copo vazio, dando a impressão de que ele está cheio e com uma cara de que isso é a coisa mais normal do mundo, com David Lynch. Uma sangria com Buñuel. Um suco de laranja, com um daqueles canudinhos redondos dos anos 80, com John Huges. Uma bebida estranha, de um país inusitado, com um ilustre desconhecido, se tiver a oportunidade. Alguém que gosta bastante de música, cinema e poesia. Alguém que gosta da sala escura, da tela grande e do som dolby. Alguém que evita ler sobre os filmes que ainda não viu, porque gosta de ser surpreendido. Alguém que escreve sobre cinema, todas as quintas, no PáginaDois.