Asilo Arkham – Uma séria casa em um sério mundo

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por Cassiano Rodka

“A primavera engana muito e o 1º de abril de 1921 é frio. Impiedosamente frio.”

Inspirado pelo mês em que estamos, eu resolvi reler uma das mais clássicas graphic novels do Batman, “Asilo Arkham”, uma história que se passa durante o Dia dos Bobos.

Lançada originalmente em 1989, a revista me pegou de surpresa na época pelo seu conteúdo, tanto textual quanto gráfico. A história criada por Grant Morrison mostra o homem-morcego tendo que enfrentar seus próprios medos e defeitos, mostrando um lado mais humano e, portanto, mais frágil do que estávamos acostumados a ler nos gibis da época. Ao ser chamado para controlar uma revolta dos internos do hospício Arkham, Batman acaba encarando a sua própria loucura. Morrison não poupou o trabalho de buscar diversas referências literárias, além de se utilizar de várias simbologias, resultando em um texto ao mesmo tempo poético e cru.

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Enquanto acompanhamos Batman andando pelos corredores do manicômio e encarando seus vilões e demônios interiores, Grant Morrison vai nos revelando, aos poucos, a história conturbada do criador do famoso asilo, Amadeus Arkham. Assim como os internos que perambulam pelos corredores do local, Arkham também teve que enfrentar momentos de loucura e violência em sua vida. A origem do personagem criada por Morrison acabou se tornando a versão oficial, sendo depois explorada em outras histórias do Batman e servindo de referência para a aclamada série de games do super-herói.

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As imagens criadas pelo inigualável Dave McKean são verdadeiras pinturas, dotadas de um visual perturbador de filme de terror. McKean mistura desenhos com fotografia, dando um toque muito realista a certos momentos da história. Personagens já conhecidos, como o Coringa, são retratados mais assustadores do que nunca e o próprio Batman mostra uma face mais sombria e impiedosa. As cenas violentas são bem gráficas e os vilões são grotescos e perversos. A cada encontro de Batman com um arqui-inimigo, o herói parece encontrar um fragmento de sua própria loucura e as conversas entre eles são muito bem construídas por Grant Morrison. O diálogo de Batman com o Chapeleiro Louco certamente deixaria Lewis Carroll orgulhoso.

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Revisitar “Asilo Arkham” mais de 20 anos depois da minha primeira leitura foi gratificante e só comprovou que é uma das melhores histórias já criadas para desvendar o que se passa na cabeça do homem-morcego. A versão de capa dura lançada em 2016 pela Panini Books traz ainda o roteiro original de Morrison cheio de notas de pé de página esclarecendo várias opções do escritor, e ainda alguns dos layouts criados por ele para servir como guia para Dave McKean.

2 comentários sobre “Asilo Arkham – Uma séria casa em um sério mundo

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