Guns N’ Roses em POA: a banda do Slash toca na capital gaúcha

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por Cassiano Rodka

O Guns N’ Roses foi a primeira banda que eu gostei que era minha. Minha mesmo, não interessava o que os outros pensavam dela, pouco me importava o que a mídia dizia deles e muito menos o que a velha geração achava do som deles. Minha! Foi o primeiro grupo que me fez sair de casa para comprar os discos, vestir (literalmente) a camiseta da banda, acompanhar a carreira dos caras e procurar tudo o que eu pudesse encontrar deles. Quando o Use Your Illusion foi lançado, eu (e o meu amigo Michael) estávamos plantados na Multisom à espera dos primeiros vinis a chegar na loja. Era o início da vida musical de um adolescente roqueiro. Era pura diversão!

Os anos foram se passando, fui conhecendo outras bandas e gêneros musicais, e cada vez mais o Guns foi perdendo espaço no meu dia a dia. Adicione a isso o fato de que a banda foi se desmantelando graças ao gênio do vocalista Axl Rose e… bum! Perdemos contato.

Já nos anos 2000, o enroladíssimo lançamento de Chinese Democracy me fez voltar a ter interesse pelo o que o grupo podia apresentar ao mundo. Mas sem o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan, a sonoridade do disco não era exatamente Guns N’ Roses, estava mais para um projeto solo do Axl Rose. Era bom, mas… nhé! Os shows contavam sempre com mega atrasos da maior prima donna do rock e soavam mais como uma banda cover do que o grupo original. Estiveram em Porto Alegre, mas passei a oportunidade. Nhé! Perguntado sobre a possibilidade de tocar novamente com Slash, Axl respondeu a um entrevistador: “Not in this lifetime!”.

Pulamos para 2016 e – para surpresa geral! – o Guns anuncia que vai fazer uma turnê com o trio principal da formação original: Axl, Slash e Duff. Nome da turnê? “Not in This Lifetime Tour”. Ok, chamaram minha atenção!

Dia 8 de novembro, lá estava eu com meus amigos para assistir a banda da minha adolescência. O setlist não poderia ter sido melhor, muitas faixas dos discos clássicos da época em que eram a “minha banda” mesclados com algumas canções de Chinese Democracy e covers de grupos que influenciaram o Guns. O show iniciou dentro do horário previsto (uma novidade muito bem vinda dessa turnê) com uma dobradinha clássica dos shows da era do Appetite for Destruction: It’s So Easy e Mr. Brownstone.

As faixas épicas de 8 minutos (ou mais) marcaram presença ao longo do show: os singles Estranged, November Rain e Civil War foram bem recebidos pelo público e, para minha alegria, ainda rolou o peso de Coma – grande surpresa da noite para mim, já que não havia visto o que eles andavam tocando na tour. O álbum mais recente, Chinese Democracy, apareceu representado em três faixas. Mas a maioria das canções era da época áurea da banda, dos discos Appetite for Destruction e Use Your Illusion I e II.

O Guns deixou bem claras as suas influências em algumas covers e citações instrumentais. Rocket Queen contou com uma menção instrumental de Kiss, do Prince. O símbolo do cantor também estava estampado no baixo de Duff McKagan. Jimi Hendrix foi citado em Civil War em um pedacinho de Voodoo Child. Wish You Were Here, do Pink Floyd, apareceu em um dueto entre os guitarristas Slash e Richard Fortus. Logo em seguida, Axl puxou a sequência final de Layla, do Eric Clapton, no piano, servindo como introdução da balada November Rain. (Sim, era novembro. Mas não, não choveu.)

As covers não foram poucas e incluíram Live and Let Die, do Wings, Attitude, do Misfits (com trecho de You Can’t Put Your Arms Around a Memory, do Johnny Thunders), Knockin’ on Heaven’s Door, do Bob Dylan, The Seeker, do The Who e Speak Softly Love, o tema de amor do Poderoso Chefão, de Nino Rota.

A banda é ótima e não deixa nada a desejar, mas o grande destaque do show, sem sombra de dúvidas, é o guitarrista Slash, que conduz a noite de rock ‘n’ roll mostrando porque os seus riffs conquistaram o mundo. E sobra criatividade e habilidade em seus improvisos durante as canções, em especial nas músicas Speak Softly Love, Double Talkin’ Jive, Rocket Queen e Nightrain.

No bis, a balada Don’t Cry inicia os trabalhos com a galera cantando em uníssono e a clássica Paradise City fecha com chave de ouro a noite com explosões de fogos de artifício, chuva de papel e Slash com a corda toda. Foi uma gostosa visita aos bons anos da minha adolescência. E é bom demais ver essa turma reunida novamente!

setlist:
It’s So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
Double Talkin’ Jive
Better
Estranged
Live and Let Die (Wings cover)
Rocket Queen (com “Kiss”)
You Could Be Mine
Attitude (Misfits cover) (com “You Can’t Put Your Arms Around a Memory”)
This I Love
Civil War (com “Voodoo Child”)
Coma (with band introductions)
Speak Softly Love (Love Theme from The Godfather) (Nino Rota cover)
Sweet Child O’ Mine
Wish You Were Here (Pink Floyd cover)
November Rain (com “Layla”)
Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan cover)
Nightrain

bis:
Don’t Cry
The Seeker (The Who cover)
Paradise City

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