Ambíguo

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imagem: Cassiano Rodka

por Marcella Marx

Não é mais você quem diz o que sou.
O que não sou
Eu sei bem.
Não sou inércia
Tardo a acostumar com dias sem sol
Mas há dias em que ele nasce dentro, no meio de minha sala
Não sou somente vida
Apesar de minha maior parte viver
Longe de mim ter flor sem espinhos
As minhas se armam e desarmam como a lua
Quando sou fruto
Não sou apenas doce
Salgo, lá pelo meio
Acidifico pelos cantos
Evito a todo o custo a amargura
Que, assim como na língua, quando pega,
Indica final
Não, não tenho asas
A não ser quando sonho
Não sonho tanto quanto gostaria
Quando sonho encontro
Menos do que procurava
As palavras não ditas me intrigam
Porque não gosto da certeza inexata
As admiro apenas em forma de arte
Porque o poeta é o alquimista da verdade
A ilusão do controle se esvaiu
Mas a vontade de controlar ainda está enraizada
Não aprendo mais nada repetindo
Agora erro meus próprios erros
E tendo a não mais os repetir
Eu não anseio os teus anseios
Eles são teus
O que já não me bastava ontem
Hoje é apenas uma de minhas porções.

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