Por que diabos ler quadrinhos?

por Cassiano Rodka

Não encontramos apenas super-heróis, nos deparamos com pessoas reais – às vezes, espelhos. Não são só histórias leves ou descartáveis, há tramas profundas e instigantes. Não é apenas para crianças, é para você também.

O universo das histórias em quadrinhos sempre foi fascinante para mim. Meu interesse pela leitura surgiu nas revistinhas da Turma da Mônica, passou para os gibis do Batman e atualmente perambula pelas mais variadas graphic novels. É comum a crença de que os comics se limitam a histórias infantis e banais, o que é um grande engano. Há um universo de quadrinhos adultos que têm o mesmo valor literário de um bom romance ou um grande filme.

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“Pílulas Azuis”, de Frederik Peeters, narra o romance real entre o quadrinista e sua atual esposa, que tem HIV.

Eu acredito que a arte dos quadrinhos é a ponte que liga a literatura ao cinema. Na literatura, a participação do leitor é imprescindível. Há uma história apresentada, mas é ele quem cria a aparência dos personagens, os cenários, os sons, o clima de cada momento. Nossa criatividade é convidada a complementar o que estamos lendo, criando uma espécie de filme em nossas mentes. Por isso, é tão fácil nos decepcionarmos com interpretações cinematográficas de obras que lemos. Quando enxergamos a história materializada na visão de outra pessoa, ela certamente não bate 100% com o que nós havíamos visto em nossas cabeças. É importante mantermos essa consciência de que a adaptação do livro será sempre a versão visual de como outra pessoa enxergou aquela história.

O cinema talvez seja a forma de comunicação através da arte em que o material apresentado chega ao observador da maneira mais “mastigada”. Salvo algumas exceções, os filmes tendem a trazer ao público uma história definida, com imagens e sons escolhidos para cada cena, deixando pouco a ser complementado por quem os assiste. Nós mergulhamos em um mundo que foi criado por outra pessoa, o que certamente é uma delícia, mas não temos tanto espaço para usar nossa imaginação. Está mais para um papel de ouvinte/recipiente do que uma construção conjunta.

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Utilizando um universo fantástico, Brian K. Vaughan conta a história de um casal inter-racial que enfrenta dificuldades para criar sua filha em “Saga”.

No caso dos quadrinhos, temos um meio-termo em relação a esses dois mundos – o do cinema e o da literatura. As HQs nos apresentam uma história definida e com imagens prontas, mas temos uma grande liberdade em interpretar a parte gráfica. É um pouco como olhar uma fotografia. Apesar de ser uma imagem estática, nossa imaginação nos permite preencher os espaços daquela imagem com sons, cheiros e sensações. É como se nós fôssemos os atores, editores de som e, talvez até, codiretores daquela história. A própria velocidade com que se degusta o enredo está em nossas mãos, nos dando o direito de observar com calma cada desenho e ler com a atenção que julgarmos necessária cada frase.

Se você nunca se deu a chance de experimentar essa arte, convido você, amigo leitor, a acompanhar esta coluna de Quadrinhos que eu e o Pedro Cunha traremos sempre às sextas-feiras aqui no PáginaDois. Vamos falar sobre algumas das grandes obras dos últimos tempos e dar dicas de leitura tanto para quem já é fascinado por HQs quanto para quem nunca leu uma. Prepare-se para uma boa viagem! Há muito a ser descoberto.

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“Thief of Thieves”, de Robert Kirkman, acompanha a trajetória de um ladrão de arte que procura largar o crime para recuperar sua vida normal.

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