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Violent Femmes – We Can Do Anything

por Cassiano Rodka

Depois de 16 anos sem lançar material inédito, o Violent Femmes finalmente decidiu se trancar no estúdio para criar novas canções.

Considerado um dos precursores do indie-folk, o grupo começou sua carreira tocando suas músicas nas ruas de Wisconsin, visto que nenhum club topava dar-lhes uma chance. Assim, eles acabaram desenvolvendo um som acústico com muito espaço para improviso. Por essa razão, estranharam muito a primeira vez que foram gravar em estúdio em 1983. O produtor queria que eles gravassem as suas partes separadamente, o que é extremamente comum, mas eles detestaram a experiência e resolveram gravar tudo ao vivo, todos na mesma sala, como era mais natural para eles. O resultado foi um disco extremamente orgânico, até hoje considerado o grande clássico da banda, trazendo faixas como “Blister in the Sun”, “Kiss Off” e “Gone Daddy Gone”.

A patir daí, mais 8 discos seguiram, com a banda experimentando com os mais diferentes gêneros musicais. As letras do vocalista Gordon Gano refletiam suas frustrações juvenis de forma simples e direta, atingindo em cheio os jovens que escutavam as college radios americanas dos anos 80 e 90. Em 2000, a banda gravou aquele que seria por muito tempo seu último disco, “Freak Magnet”, decidindo seguir apenas tocando ao vivo. Problemas pessoais entre o vocalista e o baixista Brian Ritchie também teriam prejudicado os ânimos, fazendo com que se separassem em 2009.

Em 2013, os músicos fizeram as pazes e voltaram a fazer shows, surgindo a vontade de gravar juntos novamente. Com o baterista do Dresden Dolls Brian Viglione assumindo as baquetas, a banda gravou 10 músicas para o disco “We Can Do Anything”. Respeitando as orgines do grupo, o trio resolveu compor e gravar músicas simples, tocando tudo ao vivo e depois adicionando algumas camadas adicionais. Em uma época de canções artificiais e descartáveis, o disco soa maravilhosamente deslocado, lembrando o quanto a espontaneidade pode ser um ingrediente incrível para a música.

Com 53 anos nas costas, Gordon Gano obviamente não compõe mais sobre problemas adolescentes, mas seu lamento continua sendo sincero e direto, com letras ora melancólicas, ora debochadas. O espírito positivo da banda reaparece intacto na festeira “I Could Be Anything” enquanto o desalento country inconfundível de Gano ressurge na balada “What You Really Mean”. As melodias são despretensiosas, mas certeiras, como o riff de saxofone de “Issues”, que se instala marotamente na cabeça. O álbum não se afasta muito da estrada que o Violent Femmes já traçou, mas mostra um grupo coeso e feliz em fazer música juntos novamente. Tem coisa melhor que isso?

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