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Quadrinhos

por Pedro Cunha

Fiquei muito feliz quando recebi o convite do Cassiano Rodka para dividir com ele esta coluna sobre quadrinhos no PáginaDois. Nós já compartilhamos bebedeiras, já estivemos juntos numa banda e agora somos parceiro de coluna. Só espero conseguir estar à altura do desafio de dividir esta coluna com ele.

Minha paixão por quadrinhos começou muito cedo. Como boa parte dos brasileiros de minha geração (e de várias posteriores), eu fui alfabetizado com gibis da Turma da Mônica. Mauricio de Sousa talvez não imagine a importância que ele tem no desenvolvimento do gosto pela leitura em gerações do nosso país.

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O meu “salto” para as HQs se deu na primeira metade dos anos 80. Recentemente fiz um levantamento mais completo de tudo que eu tenho e acredito que meu gibi mais antigo seja um Almanaque do Capitão América de 1982. Já de 1984 e 1985 há várias edições de Superamigos, Heróis da TV, Novos Titãs e Superaventuras Marvel. Acompanhei o crescimento, a explosão e o fim da Editora Abril como autorizada para publicar Marvel e DC no Brasil. Nesse caminho tive a oportunidade de acompanhar o Quarteto e o Superman de Byrne, o Demolidor de Miller, a Liga da Justiça de Giffen e DeMatteis, os Titãs de Wolfman e Pérez. Acompanhei o Homem-Aranha na época do romance com a Gata Negra. Acompanhei com entusiasmo as publicações no Brasil de sagas como as primeiras Guerras Secretas (que foram publicadas por aqui com cortes e edições absurdas). Chorei feito um desesperado durante a Crise nas Infinitas Terras com as mortes do Flash e da Supergirl (numa época dos quadrinhos em que as mortes eram um pouco mais definitivas do que hoje). Tudo isso, é claro, no famigerado formatinho que mutilava as histórias e não deixa saudade alguma.

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Durante muito tempo o foco da minha coleção foram os X-Men, “perseguidos e odiados por um mundo que juraram proteger”. Comecei a acompanhar o grupo aqui no Brasil durante aquele que talvez seja o melhor momento da equipe, a dobradinha Claremont/Byrne. A chegada de Kitty Pryde na equipe, os Dias do Futuro do Passado (e a capa icônica que nos fazia ficar imaginando como os X-Men haviam sido presos ou mortos), a volta no tempo de Rachel Summers. Quando a franquia “X” começou a crescer, cresceram também minhas possibilidades financeiras e eu podia acompanhar o X-Factor, a X-Force, o Excalibur e tudo mais que tivesse o emblemático “X” na capa. Inclusive a mensal do Wolverine, sempre com certa relutância já que nunca foi meu personagem preferido.

Com a passagem de bastão da Abril para a Panini houve um salto de qualidade nos quadrinhos Marvel e DC publicados no Brasil. Os formatos passaram a ser respeitados assim como o destaque aos roteiristas e desenhistas. Já adulto pude me dar ao luxo de assinar os pacotes e acompanhar fases excelentes. A Panini nos trouxe o renascimento da Marvel com a linha Ultimate (no Brasil, Millenium) e apostou alto publicando excelente material em “Marvel Max”, onde tivemos o Esquadrão Supremo, Alias e outras séries que acabaram sendo minha “introdução” nos quadrinhos mais adultos, meio que tardiamente. Daí pulei para coisas da Vertigo e da Wildstorm que tinham passado reto por mim e que tive o prazer de resgatar, como “Sandman”, “Y: O Último Homem” e vários outros.

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A partir de 2011 minha vida mudou bastante, em função das mudanças constantes de CEP, e parei de comprar as revistas mensais. Além da dificuldade de manter as coleções, pesou também a enorme oferta que existe hoje no Brasil dos encadernados de luxo, que nos permitem ter com capa dura e altíssima qualidade uma quantidade muito grande de títulos. Se vou ocupar minhas prateleiras com os encadernados fatalmente vai acabar faltando espaço para os velhos volumes grampeados…

Enfim, os quadrinhos cresceram comigo. Se quando eu comecei com eles (mais de trinta anos atrás!!), eram um produto com um nicho de consumo bem específico, hoje em dia tornaram-se um fenômeno pop. Batman, Homem de Ferro, Capitão América, Demolidor, Wolverine e até Jessica Jones podem ser encontrados em filmes, seriados, camisetas e lancheiras por todos os lugares. O que eu acho disso? Acho muito bacana. Acho muito bom que mais crianças possam soltar a sua imaginação e voar com o Lanterna Verde, pular pelos telhados como o Demolidor ou lutar contra o preconceito como os X-Men. Acho um barato acompanhar essa maçaroca que a cultura pop está se tornando, com filmes e seriados baseados em HQs e influenciando brutalmente as editoras nos quadrinhos.

O que esperar de mim neste espaço? Vou falar de coisa velha. Vou falar de quadrinhos que passaram. Mas de vez em quando posso falar sobre novidades também. E o que vai ter sempre, por aqui, é aquele encantamento, aquele brilho nos olhos do menino que ia ao supermercado com o pai só para, na hora da saída, levar uma revistinha para casa. Marvel, DC, Vertigo, Image, Wildstorm e o que mais aparecer, também…

2 comentários sobre “Quadrinhos

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