Apresentação ou Das trocas interpessoais no transporte coletivo

por Brunna Stock

Sempre me intrigaram as relações criadas no espaço-tempo de uma viagem de ônibus. Tem algumas pessoas que a gente vê mais do que a família, mas com quem nunca conversamos. “Puxa, a menina do cabelo vermelho não veio hoje, será que ela está bem?”. “O carinha com a bolsa da Engenharia está estudando, hoje deve ter prova de Cálculo”. Aí cê não sabe se cumprimenta aquela pessoa, correndo o risco de parece psicopata; ou não fala nada e passa por grossa. Mas vai dizer o quê? “Oi, moça do casaco bonito!”. Complexo.

Tem, também, aqueles amigos de infância de uma viagem, que compartilham suas mais variadas histórias e, de repente – não mais que de repente – se vão na próxima parada. Esses eu já conheci muitos, acho que tenho cara de simpática, sei lá. Desde o cobrador que queria me convencer que sou parente da Fernanda Lima (oi?), até a moça que me contou toda a história do relacionamento dela com um fulaninho da high society porto-alegrense. Passei maus bocados com um homem que ofereceu dinheiro pra ver meu corpo (é, essa não foi legal) e me diverti horrores com uma velhinha moralista.

O ônibus também é o lugar em que mais encontro ex-alunxs (e que coisa bem boa ver xs nenês do ensino fundamental ou médio indo para a universidade!). Fico sabendo das novidades e descubro os rumos que tomaram (ou não). Uma vez encontrei uma ex-aluna numa vibe mega hippie completamente descompassada com a escola em que fui sua professora no Ensino Médio. Ela me falou sobre energia, encontros, sua música e sua arte. Não era boa em Matemática, mas tem uma voz sensacional. Ela está muito bem, obrigada. Naquele momento repensei vários aspectos do ser professora, dos saberes necessários para uma vida digna, da escola como formação de um cidadão crítico… mas isso fica pra outra história.

Peraí, por que mesmo estou falando sobre isso? Ah sim, as relações. Afinal, talvez eu não tenha cara de simpática, mas, sim, cara de quem quer fazer trocas. Trocar saberes, histórias, risadas e – por que não? – energia. Talvez seja isso, no fim de tudo, o que me move: esses compartilhamentos, essas trocas, essas relações. Essas que ocorrem no ônibus, mas também as da sala de aula, da mesa do bar, da cama (ui!). Sejam as de fala mansa, as de tom mais alto ou as em silêncio. O que importa é que troca implica mais que um. Precisa de outro para meter o raio problematizador ou falar sem parar até você dizer chega. Precisa de pessoas.

Então, tá. Acho que esse é o ponto. Muito prazer, eu sou a Brunna e estou aqui para falar sobre gente.

2 comentários sobre “Apresentação ou Das trocas interpessoais no transporte coletivo

  1. Amei. Ouvi estas histórias e muitas outras de conversas no ônibus entre a Brunna e pessoas aleatórias , acho que ela tem aquele “ombro amigo” que chama as pessoas pra uma conversa.

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    1. Mais do que isso, ela tem aquele rostinho de menina curiosa, que se interessa por tudo, que topa fazer “trocas”, e tem, também, o sorriso mais lindo que eu conheço. Parabéns à P2, bola super dentro, gol de placa!!!!

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