Deserto

deserto_p2
imagem: Isabel Dall’Agnol

por Isabel Dall’Agnol

Às vezes, sinto que
o mundo me testa.
Cria demônios em anjos.
Escurece o sonho,
devagar.

Mata a alma e
cria lugar.
Deixa de estar.
Amarrota minhas
mãos, cansadas.

Mas alcanço.
O vão.
Em vão.

Atormenta o senso,
enquanto embrulha
o estômago.

Às vezes, sinto que o chão
se despede.
A página se cala.
E me perco.

Humilho o
semblante.
Visto a pele,
em chamas.
Mostro, querendo
correr.

Quero esconder.
E me esquecer.
Deixar, então,
que perturbe
e se grude.

Só.
Deserto.

Fio, que me costura
o talhe.
E prende a minha sede.

É sina,
que me cobre.
Mente o tempo.
Eterno nó.

Livre de braços.
Abraço o destino.

Sou a noite que inunda.
Que arrepia a tua crina.
Provoca os teus lábios.
E cala o teu olhar.

Sou dor esquecida.
Saudade vazia.
Culpa de desejo.
Escassez de calor.

Um comentário sobre “Deserto

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s