Dalila

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

“Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem afligir.”
(Bíblia, Velho Testamento, Juízes, 16)

És apenas um emaranhado
de cinza e ideias
e instintos e desejos,
sobre o qual tenho o poder de seduzir e controlar.

Não me fala com o que devo (ou não) sonhar,
Porque ainda assim te direi
“Pois vou”.

Apresento-te a minha versão desconstruída,
deslavada,
desaforada: a melhor delas.

Não banques o rebelde:
A senhora de tudo agora sou eu. Adapta-te.
Agora corto toda a tua força pela raiz.
E entrego-me, inteira, somente a mim mesma.

De mim não espero mais nada além de flores,
travestidas em algumas
pequenas felicidades certas, com seu perfume
me sussurrando segredos.

Transcendo, apenas.
Aguardo a calmaria das águas futuras,
E o sal que se perdeu
nos desentendimentos –
esse fica para temperar
outros tempos
(e acertos).

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