Donny McCaslin, o último músico a trabalhar com David Bowie

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por Cassiano Rodka

Como os grandes maestros, David Bowie sempre soube escolher bem os seus instrumentistas para chegar ao som que ele procurava. Para o seu derradeiro álbum, “Blackstar”, o cantor decidiu contar com o apoio do saxofonista americano Donny McCaslin e seu quarteto.

No final de 2014, David Bowie lançou o single “Sue (Or in a Season of Crime)”, que contava com a orquestra de jazz de Maria Schneider. Bowie gostou do resultado e pretendia trabalhar com os mesmos músicos para compor seu novo disco. Como Schneider estava focada em compor seu próprio álbum, ela teve que negar o convite. Mas recomendou que Bowie procurasse o apoio do saxofonista Donny McCaslin.

Decidido a conhecer o som do músico, o cantor apareceu em uma apresentação de McCaslin com seu quarteto em Nova York no 55 Bar sem que o grupo soubesse. O som jazz futurista agradou muito David Bowie, que resolveu convidar os músicos para trabalhar com ele em suas novas músicas.

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O quarteto contava ainda com Jason Lindner nos teclados, Tim Lefebvre no baixo e Mark Guiliana na bateria. No estúdio, o guitarrista de jazz Ben Monder também se juntou ao time. Durante três meses, a banda gravou com Bowie sem tomar conhecimento de que aquele seria o último disco do músico. Em seu site oficial, o saxofonista conta que trabalhar com o cantor foi inspirador e um sonho realizado, e que foi uma honra ter sido convidado para participar de um disco tão importante para a sua carreira.

O baterista Mark Guiliana conta que as faixas foram gravadas em grande parte ao vivo no estúdio Magic Shop com algumas partes adicionadas depois. David Bowie fez questão de cantar junto com a banda, criando um clima de show às gravações. O compositor confiava plenamente nos músicos, deixando todos à vontade para improvisar em partes das músicas, algo que McCaslin tomou proveito. Na faixa “‘Tis a Pity She Was a Whore” dá até para ouvir um “wooh!” de Bowie durante um solo inspirado do saxofonista.

Donny McCaslin possui onze discos solo, dois deles com o quarteto que gravou com Bowie: “Casting Gravity”, de 2012, que foi indicado ao Grammy de Melhor Jazz Instrumental Solo, e “Fast Future”, de 2015, que é o seu álbum mais recente e serve como uma excelente porta de entrada para o jazz futurista do músico. Para quem curtiu a atmosfera de “Blackstar”, o trabalho do saxofonista e seu quarteto é um deliciosa viagem!

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