O mar em mim

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imagem: Cassiano Rodka

por Marcella Marx

Meus pés tocam a água.
Por mais que eu tente,
Nunca estou preparada pra temperatura que me espera.
O tempo me faz a acostumar.
Imagino meu sangue fluindo mais rápido
em contato com a água fria,
reagindo a minha ação de andar até a beira do mar
de deixar a água me tocar.

A areia me sorve dedo a dedo.
Fico assim afundando,
Perco a noção do tempo.
Gosto de brincar daquilo que me prende.
Mais água me encontrando,
Mais do que sou em contato com a água.
Sinto a pressão sufocando os limites destes dois pedaços de pele, sangue e osso
Que me compõe.

Não enxergo mais meus pés,
mas ainda os sinto.
O pulsar do meu coração latente em minhas veias
Não sabia que era possível:
Coração nos pés
Pesados sob os grânulos de milhares de anos.
O mar a me engolir
Como faz com tantas outras coisas.

Areia e mar – e sua sinfonia
A água empurra, a areia cobre, ambos sugam
Sugam, cobre, empurra,
Empurra, cobre, sugam.
Eu penso em deixar a brincadeira séria
Esquecê-los aqui,
Assim como as coisas são esquecidas.
Os pássaros que voam acima de mim,
Muito acima
Me fazem lembrar que não há essa opção.

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