Epílogo

Epilogo_P2.jpg
imagem: Alessandra Giacomin

por Isabel Dall’Agnol

O ponto de partida
deu um nó na chegada.
Tudo o que era
se desfez.

Mãos calaram-se.
Calor deserto.
Um vazio transbordou
o peito.

As palavras correram.
A ternura gastou-se.
O laço desistiu.

O amor derramou-se
em engano.
Nada mais vaga
em nosso leito.

Tuas manchas
escaparam.
Nem te reconheço
no espelho.

Minhas lágrimas secaram.
O apego envelheceu.
A saudade escureceu.

Se te encontro
em gotas de cristal,
amanhã acordo e esqueço.

Não te vejo,
porque já não existes.
Teu esqueleto vive,
enquanto tua alma adormece.

O segredo
parece mentira.
O nunca
teme o teu retrato.

Tua realidade desconhecida
desbotou a fotografia.

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