Literatura em movimento 2 – O genial Saramago

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Olá, leitores queridos!

Seguindo neste relato das minhas aventuras literárias de 2015, estou revisitando meu mestre José Saramago. Nada pode me deixar mais feliz e completa intelectualmente. Comecei o ano lendo seu segundo livro, “Manual de Pintura e Caligrafia”, onde o autor disseca a arte tal como faria o melhor dos estudantes de medicina de primeiro ano em suas aulas de anatomia.

Ano passado eu havia mergulhado, emocionada, em “Da estátua à pedra e Discursos de Estocolmo”, uma reunião sensacional de palestras proferidas por Saramago discorrendo sobre sua obra e seu processo criativo, incluindo os discursos pelo autor proferidos quando da entrega de seu prêmio Nobel de Literatura em 1998. Esse eu já li reli várias vezes ao longo do ano. Como escritora, é refrescante e inspirador buscar na fonte o que moveu meu maior ídolo literário a criar seus universos únicos, críticos, contundentes e irônicos, e ao mesmo tempo, tão cheios de poesia.

Estou também a reler alguns dos clássicos de Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” (livro que mudou minha vida, meu modo de ver o mundo e minha trajetória como escritora) e “O evangelho segundo Jesus Cristo” (genial livro que foi censurado e intensamente criticado em Portugal, escrito pós-Nobel, e que foi um dos motivos para que o ateu e comunista José se mudasse e se “exilasse” até sua morte na ilha espanhola de Lanzarote).

Determinada a dissecar meu autor preferido, na minha bolsa está morando também “As intermitências da morte”, instigante romance onde o mote principal é a morte, que simplesmente “entra em greve”, se é que o mestre me permitiria assim descrevê-lo! Sem igual…

E minha maior supresa do ano até agora foi “José e Pilar – conversas inéditas”, escrito pelo cineasta português Miguel Gonçalves Mendes, e com prefácio genial de Valter Hugo Mãe. O livro é uma reunião de entrevistas feitas com José Saramago e sua esposa, a jornalista espanhola Pilar Del Río. Essas entrevistas foram usadas como base para o filme de Miguel, “José e Pilar”, lançado em 2010, ano da morte de Saramago. Comprei o livro sem expectativas maiores. Só curiosidade de fã. Aliás, o adquiri em uma das ótimas feiras de descontos que faz periodicamente a Livraria da Vila, a minha preferida em São Paulo. O que o livro teve de barato, tem de magnífico. É de uma honestidade e de um lirismo de emocionar até o mais duro dos mortais. Ali, Pilar e José encantam ao falar de relacionamentos humanos, de amor, de trabalho, de morte, de filhos, de religião, de política, de cultura, de literatura, de filosofia: falam da vida, dos assuntos que nos movem e nos motivam a estar aqui. Visões complexas e ao mesmo tempo singelas de dois habitantes do planeta Terra, como eles mesmo dizem. Seres humanos que, como nós, querem viver e desfrutar da existência ao máximo. Tirar da vida o seu sumo até o finalzinho. Com a consciência de que talvez nada fique além de nossas lembranças, e de cada legado pessoal, de cada ação ou ideia no mundo lançadas.

E por hoje era isto. Meu objetivo é seguir com estes relatos ao longo do ano, veremos se sou capaz…!

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