Morto é o caralho! Faith No More volta à vida em Sol Invictus.

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por Cassiano Rodka

Absolutamente nada do que eu esperava, absolutamente tudo o que eu precisava. O novo álbum do Faith No More segue a tradição de surpreender os seus fãs. “Sol Invictus” traz uma seleção de músicas com uma sonoridade renovada, mas que, ao mesmo tempo, mantém o inconfundível sabor Faith No More. O disco versa sobre morte e renascimento, sendo um reflexo do próprio retorno da banda.

A primeira surpresa já surge na primeira faixa, “Sol Invictus”, que, ao contrário de todos os discos do Faith No More, não começa com uma porrada, mas sim com um suave piano. Uma bateria em ritmo de marcha abre as águas para Patton sussurrar uma letra com tema bíblico. Está mais próximo de Garbage e Depeche Mode do que qualquer coisa que a banda já tenha feito.

A segunda faixa é o single “Superhero”, a música mais próxima do som dos discos anteriores, servindo aqui como um oásis para quem tomou um susto com a música anterior. Com teclados orientais e um baixo furioso, a música evoca bons momentos do “Angel Dust” e do “Album of the Year”.

Se em “Ugly in the Morning” Mike Patton acordava ressaquento com a cara toda amassada, em “Sunny Side Up”, ele começa o dia cheio de disposição, dançando como Fred Astaire. A letra é de uma positividade que chega a soar estranha na voz do cantor. A faixa tem pianos Gainsbourgianos e um refrão grandioso a la dEUS. Acho que vira single.

“Separation Anxiety” lembra a época dos primeiros discos da banda, ainda com Chuck Mosley nos vocais. Um riff de baixo repetitivo e um tecladinho cinematográfico bem sutil criam a tensão para Patton dar seu show. Ao vivo, essa vai ficar muito foda.

“Cone of Shame”, que já havia sido tocada em shows, ficou incrível em sua versão de estúdio. Com um clima bluesy e um vocal do Patton inspiradíssimo e sem muito overdub, a música ganhou força, especialmente na parte final.

A introdução de “Rise of the Fall” mais uma vez evoca os primeiros discos da banda, mas logo em seguida a música dá uma guinada e entra num território cinematográfico, meio cabaret. A guitarra faz pensar em “Blood”, faixa do “Introduce Yourself”, e temos o primeiro registro da escaleta de Patton em uma música de estúdio da banda. Gênero musical: inclassificável.

“Black Friday” é acústica e dançante, lembrando o som do The Heavy. Apesar de ser completamente diferente de tudo que eles já fizeram, eu acho que ela é perfeita para single, com um refrão fácil e bom de gritar: “BUY IT!”. A letra tira um sarro do desespero das pessoas por fazer compras na Black Friday, comparando-as com zumbis. Tem muitos mortos-vivos ao longo do disco, incluindo a própria banda. Nessa música, fica bem claro o quanto o Patton se puxou no trabalho de vozes, com muitos backings e detalhezinhos sonoros que fazem toda a diferença na tapeçaria final da música.

“Motherfucker”, primeiro single lançado, e que funcionou como um teaser do que vinha pela frente, parece finalmente fazer sentido. Eu tinha achado ela uma escolha estranha para primeiro single, mas atualmente entendo que a ideia era realmente não entregar o jogo, mas ao mesmo tempo avisar que vinha algo de novo por aí. Ela definitivamente tem o seu lugar no disco.

“Matador” foi a primeira música nova a ser apresentada para os fãs nos shows e confesso que a versão de estúdio ficou devendo um pouco para a grandiosidade dela ao vivo. Me parece que falta uma continuidade natural nos vocais, ela ficou um pouco artificial comparando com a passionalidade dela nos palcos. Mas, tirando essa primeira impressão, a música é certamente um clássico instantâneo do Faith No More, dando uma mergulhada na sonoridade do mastodôntico “Angel Dust”.

E o disco encerra com a belíssima “From the Dead”, uma balada acústica que evoca Flaming Lips com seus violões grandiosos e muitas vozes, levando a banda mais uma vez a um terreno mega ensolarado que é total novidade para o Faith No More.

No fim das contas, depois de nos jogar para cima e para baixo, o álbum nos deixa com uma sensação extremamente positiva, como se nos dissesse (secretamente) que a vida é doida para caralho, mas vale cada segundo.

Welcome home, my friends!

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