Como escrever: Um guia para iniciantes

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Esses dias me perguntaram como eu faço para escrever. Me pus a pensar sobre o meu processo e percebi que, de fato, eu tenho um modus operandi. Eu sento e escrevo.

Estando cheio de ideias ou sem inspiração alguma, eu sempre faço o mesmo. Com uma caneta na mão ou os dedinhos no laptop, a metodologia não se altera. Eu sento e escrevo.

Cheguei a uma óbvia conclusão: o importante mesmo é o sentar. De pé, eu não escreveria. Sentado é perfeito. Deitado ainda vá, mas é meio complicado – vira para cá, vira para lá. Melhor sentar. E escrever.

A partir daí, comecei a focar minha atenção no que realmente interessa. Passei a investir em cadeiras. Tenho atualmente 17 cadeiras diferentes no meu apartamento. Cada dia escolho uma delas e levo para o escritório, onde eu sento e escrevo.

Isso sem falar nos móveis sentáveis que não foram realmente construídos para isso. Tem um balcão na minha sala que é ideal para aplicar essa técnica. Não é preciso arrastá-lo para o escritório, o local não faz diferença alguma. O negócio é sentar e escrever.

O método sempre me pareceu infalível. Mas, hoje, algo estranho aconteceu. Sentei na minha mais recente aquisição e… Nada. Esperei alguns minutos, tentei forçar as ideias a saírem… Nadica de nada. Sentei e não escrevi.

Não tive a menor dúvida, levantei e saí porta afora com a cadeira na mão. Na loja, botei a boca na vendedora. “Onde já se viu vender uma cadeira com defeito para um escritor?” Ela me olhou assustada, tentou se fazer de louca, disse que não entendia patavinas do que eu estava falando, mas para cima de mim, não. Só um pouquinho, né? “Senta aí e tenta escrever alguma coisa!” Ela nem sentou, nem escreveu.

Ânimos acalmados, fui convidado a me retirar do local por dois seguranças nada simpáticos. O gerente, com cara de abostado, nem se coçou e ainda ficou parado me olhando como se o louco fosse eu. Não trocaram o produto defeituoso, nem devolveram o meu dinheiro. Nunca mais volto lá! E vou reclamar no Facebook! Frustrado, sentei na beirada da calçada e – adivinha! – escrevi.

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