Os melhores de 2014

por Cassiano Rodka

Discos acústicos, riffs pesados, experimentalismos e eletrocumbia. Para mim, esse foi o melhor de 2014!

Andy Cairns – 53 Minutes Under Byker
O vocalista e guitarrista do Therapy? mostra o seu lado acústico da maneira mais punk possível. Sem orquestra, percussão ou arranjos pop, Andy Cairns decidiu apresentar suas canções com apenas voz e violão, gravando ao vivo, sem overdubs. O disco inclui músicas de sua banda e faixas inéditas, e soa como se o músico estivesse tocando no quarto pruns amigos. Bom demais!

Afghan Whigs – Do to the Beast
O tipo do discaço de rock que não vai tocar nas rádios, mas deveria. Peso com groove, com belos riffs de guitarra e aquela voz rasgada do Greg Dulli que só ele! As músicas são muito bem arranjadas e a produção é impecável. Estiveram em São Paulo neste ano, mas cancelaram Porto Alegre por falta de público… :(((((

Pixies – Indie Cindy
Muitos torceram o nariz, mas eu achei o novo álbum do Pixies um belo dum disco. Sem se apegar demais ao passado, a banda deu uma renovada no seu som, mostrando diferentes maneiras de se cozinhar um bom hit indie.

Triggerfinger – By Absence of the Sun
Uma das melhores bandas de rock a surgirem nos últimos tempos, o Triggerfinger tem em “By Absence of the Sun” provavelmente o seu melhor disco. Com referências noventistas e contemporâneas, o trio constrói músicas enérgicas e contagiantes, com destaque para “Perfect Match”, certamente um dos singles do ano!

Freeman – Freeman
Em seu segundo álbum após deixar o Ween, Aaron Freeman espanta alguns fantasmas do passado e abraça um novo futuro. Com uma boa banda de apoio, o guitarrista apresenta composições confessionais que falam sobre renovação. Difícil escutar o disco e não levar para a casa o mantra: “Fuck you all! I got a reason to live. And I’m never gonna die!”.

Le Butcherettes – Cry Is for the Flies
Sob o comando da doidona Teri Gender Bender, a banda Le Butcherettes faz um punk feminista com poucos acordes e muita atitude. Em “Cry for the Flies”, a vocalista explora bastante o som do teclado, fazendo uma barulheira com teclas distorcidas e batidas estouradas. Música para se jogar nas paredes!

Blondie – Ghosts of Download
O novo disco do Bondie traz a banda em uma incursão eletrolatina. O inusitado casamento do new wave com a cumbia resulta em um disco festivo e divertido, com participações da banda colombiana Systema Solar e da cantora Beth Ditto do Gossip. O álbum inclui um segundo CD com regravações de vários hits do Blondie, celebrando os 40 anos da banda. As versões são quase idênticas às originais, eu realmente não entendi… Mas o primeiro CD é tri!

Mexican Dubwiser – Electric City
O DJ mexicano lança seu segundo disco e mergulha ainda mais fundo na sua peculiar mescla de eletrônico e hip hop com cumbia e ritmos latinos. O single Bad Behavior, que é uma ótima música para as pistas, ganhou também uma ótima versão soul. Bom para dançar do começo ao fim!

Magnus – Where Neon Goes to Die
Depois de 11 anos sem lançar material inédito, o duo eletrônico finalmente retornou à ativa com um disco cheio de referências oitentistas, mas sendo ao mesmo tempo atual e relevante. Continua sendo uma das bandas eletrônicas mais bacanas que tem por aí, pois a dupla se mantém experimentando com novas misturas sem o menor medo de se arriscar.

Keziah Jones – Captain Rugged
O guitarrista nigeriano – que muitos consideram o novo Jimi Hendrix – apresenta uma nova seleção de músicas compostas dentro do gênero que ele criou e chama de blufunk. Refletindo a modernidade da África contemporânea, o disco mergulha em referências futuristas e tribalistas, criando uma sonoridade espacial e orgânica. Esteve no Brasil neste ano e foi um showzaço!

John Zorn – The Last Judgment
Joey Baron na bateria, Trevor Dunn no baixo, John Medeski nos teclados e Mike Patton no vocal. Não tinha muito como dar errado, né? O quarteto dá vida a esse que é o sétimo disco do projeto Moonchild do compositor avant-garde John Zorn. Possivelmente o mais acessível dos 7 álbuns do grupo, “The Last Judgment” explora um lado mais silencioso e emocional, criando agradáveis momentos de paz por entre a barulheira típica do quarteto. Noise-rock da melhor qualidade!

Tētēma – Geocidal
Entrando na lista nos últimos minutos do segundo tempo está o recém lançado projeto do pianista Anthony Pateras com o vocalista Mike Patton. A proposta de Geocidal é derrubar as barreiras que separam um lugar de outro, eliminar características culturais e deixar que tudo seja uma coisa só. O resultado é um disco com referências musicais diversas, bem climático e imersivo. Tudo soa muito orgânico, o que me chamou atenção em uma época em que os discos são tão dependentes de tecnologia digital. Há bastante espaço para elementos eletrônicos, mas é tudo muito vivo e fluido. Vale a viagem!

Faith No More – Motherfucker
Sim, é um single. Mas é o novo single do Faith No More!! Curta, climática e misteriosa, “Motherfucker” funciona realmente como um teaser para o novo álbum da banda. Com apenas 4 notas no piano e uma batida com andamento de marcha, a música é quase uma vinheta minimalista. Os vocais são declamados pelo tecladista Roddy Bottum, que depois ganha a companhia sempre bem vinda da voz de Mike Patton caprichando no refrão. A guitarra vai surgindo de canto e toma conta da música no final, mas quando parece que o bicho vai pegar, ela termina. Sim, um verdadeiro teaser! E fica aquele gostinho de quero mais… Motherfuckers!…

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