Keziah Jones em POA

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

No dia 18 de novembro, Porto Alegre recebeu um dos melhores guitarristas da atualidade no palco do Opinião.

Nascido na Nigéria, Keziah Jones partiu ainda jovem para Londres em busca de dar os primeiros passos em sua carreira como músico. Passou a tocar nas ruas, o que se tornou imprescindível para ele criar o seu próprio som. Tendo que disputar a atenção das pessoas com os ruídos urbanos, ele acabou desenvolvendo um estilo percussivo de tocar guitarra, utilizando técnicas de slap, normalmente usadas para tocar baixo funk. O resultado é algo que ele batizou de blufunk, uma mistura dos licks do blues com o ritmo do funk.

Em Porto Alegre, ele se apresentou dentro da programação do EisenBahn Jazz n’ Blues, em uma edição de celebração do Dia da Consciência Negra. O repertório incluiu canções dos seis discos lançados por Keziah Jones, com ênfase no último disco, “Captain Rugged”, que traz um som afrofuturista inspirado pela modernidade da África contemporânea.

O show começou com a apropriadamente intitulada “Million Miles from Home”, faixa do segundo disco do músico, “African Space Craft”. Antes de tocar a ótima “Kpafuca”, o cantor explicou o título da canção. A palavra é um termo africano usado para descrever uma situação quando as coisas estão… enfim, fodidas. A letra fala sobre as dificuldades em viver na África. O som não demorou a empolgar os presentes, mas acho que as mesas postas no local acabaram intimidando as pessoas a dançarem.

Em “Blufunk Is Alive!”, o músico deita o violão em um banco para usá-lo como tambor e canta seu manifesto: “Blufunk is a fact/You can’t deny the fact that we are here” (“O blufunk é uma realidade/Você não pode negar que estamos aqui”). A música deixa evidente uma de suas influências, a cantora e pianista Nina Simone. Ele recentemente regravou “Sinnerman” para um CD em homenagem à Nina lançado neste mês (novembro de 2014). Outras influências que podem ser percebidas no som de Jones são Miles Davis, Funkadelic, Bob Dylan e Jimi Hendrix – os dois últimos reverenciados na ótima cover de “All Along the Watchtower”.

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imagem: Cassiano Rodka

Na balada “The Invisible Ladder”, o guitarrista ficou sozinho no palco e mostrou como sabe preencher o som apenas com sua voz e seu instrumento. É como se ele tirasse o som de um baixo, uma guitarra e uma percussão usando apenas sua guitarra.

Vestindo uma capa vermelha (a mesma que usa no clipe de “Afronewave”), Keziah entrou no palco energizado para interpretar “Below the Funk (Pass the J)” do Rick James enquanto fumava um cigarro e fazia danças estilo pai de santo. Para fechar o set, mandou finalmente o hit “Rhythm Is Love”, única canção do músico a ganhar uma certa atenção internacionalmente, e aí não teve uma alma que conseguisse ficar sentada. Talvez ele devesse tê-la tocado antes.

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imagem: Cassiano Rodka

O público pediu mais e Keziah voltou ao palco para cantar o seu mais recente single, “Afronewave”, um bom exemplo do som afrofuturista do último disco. O show foi certamente marcante para quem esteve por lá e deixou aquele delicioso sabor de “quero mais”. Na saída, o guitarrista ainda apareceu na barraquinha de merchandising, autografando CDs e tirando fotos com a galera. Simpatia de sobra!

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