História de Maria: a menina que corria para a chuva

História de Maria- a menina que corria para a chuva_P2.jpg
imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Bastava começar a trovejar que Maria cruzava os dedos. Ela não entendia porque as pessoas corriam da chuva, pra ela não existia sensação mais gostosa. As gotas acariciando seu couro cabeludo, penetrando pelos fios, alagando as orelhas, até escorregar pelo nariz e pingar direto na sua língua, já a espera. O gosto só não era melhor do que o de sua lágrima, porque não era salgado.
Maria se divertia com o som dos pingos em superfícies diferentes. O som do pingo no chão de asfalto, o som do pingo no telhado, na grama do jardim, na janela de vidro (quando era chuva de vento); e seu favorito: o pingo na poça já formada. Quanto maior a variedade, mais bela era a sinfonia da chuva.
Quando sua mãe dava por si, a porta estava aberta e Maria lá fora se encharcando o quanto podia.
Maria acreditava que precisa ser regada pra criar raiz e, pra quem sabe um dia, brotarem de sua cabeça grandes e suculentas maçãs.

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