Nove Anos de PáginaDois!!

por Pedro Cunha

O tempo passa rápido. Olha o PáginaDois completando nove anos aí! A sensacional iniciativa do Cassiano Rodka e da Clarice Casado nos dá a impressão que surgiu ontem, apesar de estar no ar já desde 2005. Também já tem um tempinho, desde 2010, que eu estou pilotando a coluna de cinema do PáginaDois, o que me dá muita alegria. Como presente para esse aniversário, pensei em dar uma passada no Túnel do Tempo e dar uma olhada no que estava nas telonas no longínquo ano de 2005… vamos comigo?

2005 foi ano de um dos documentários mais fofos da história do cinema. Se você ainda não viu, assista “A Marcha dos Pinguins” (La marche de l’empereur, Luc Jacquet). Um documentário de 80 minutos relatando um ano da vida de pinguins imperadores na Antártida. Parece entediante? Acredite, não é. A espirituosa ideia de mesclar a narração (de Morgan Freeman) com vozes dublando os próprios pinguins fez com que um documentário sobre vida selvagem fosse uma das grandes bilheterias de 2005. O filme faturou o Oscar de Melhor Documentário em 2006.

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Falando em fofuras, 2005 foi um ano de boas animações. A Dreamworks acertou a mão e emplacou “Madagascar” (Eric Garnell e Tom McGrath). O leão Alex (com a voz de Ben Stiller), a zebra Marty (Chris Rock), a girafa Melman (David Schwimmer, o Ross, no seu maior sucesso pós-Friends) e a hipopótama Gloria (Jada Pinketh-Smith) criaram uma história bacana e que empolgou as crianças, mas quem acabou roubando a cena foi o Rei Julien (Sacha Baron Cohen, o Borat), seu escudeiro Maurice (Cedric the Enterteiner) e os lêmures que fizeram todos se remexerem muito. Ah, sem esquecer, é claro, Capitão, Kowalski, Rico e Recruta, os pinguins que fizeram tanto sucesso que ganharam sua própria série.

Ainda nas animações, eu gosto muito do Tim Burton quando ele fica menos pretensioso e megalomaníaco. E em geral nas animações ele acerta o tom. “A Noiva Cadáver” (Corpse Bride, Tim Burton e Mike Johnson) segue na linha stop-motion de “O Estranho Mundo de Jack” (The Nightmare Before Christmass, 1993) e conta com as dublagens de Johnny Depp (não!) e Helena Bonham Carter (sério??). Vale acompanhar as desventuras de Victor Van Dort e Emily.

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Em 2005 os quadrinhos começavam a grande invasão dos cinemas, que seguiu com os sucessos de “X-Men” (Bryan Singer, 2000) e “Homem Aranha” (Spiderman, Sam Raimi, 2002). Apesar de alguns tropeços, como o infantil “Quarteto Fantástico” (The Fantastic Four, Tim Story) e o horrível “Elektra” (idem, Rob Bowman), que não se salva nem pela presença da linda Jennifer Garner. Os quadrinhos mais alternativos tiveram mais sorte. A adaptação de “Sin City” (Sin City, Robert Rodriguez e Frank Miller) agradou tanto pelo clima noir quanto pela fidelidade da adaptação da obra do quadrinista Frank Miller (que foi co-creditado como diretor por pedido do próprio Rodriguez). O filme resgatou Mickey Rourke do ostracismo e deixou todos alucinados pela beleza de Jessica Alba. Algumas características que veríamos em outros filmes de Rodriguez aparecem aqui pela primeira vez.

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Impossível falar de filmes de quadrinhos em 2005 sem lembrar que esse foi o ano da ressuscitação de Batman. “Batman Begins” (Cristopher Nolan) refundou a mitologia do morcego no cinema e abriu uma trilogia que foi aclamada por público e crítica. Além de ter achado em Christian Bale o ator certo para o seu Batman, Nolan ainda conseguiu acertar na mosca em todo o elenco de apoio. Michael Cane (Alfred), Morgan Freeman (Lucius Fox) e Gary Oldman (Policial Gordon) quase que valem sozinhos o filme. Me lembro de sair do cinema encantado e pensando “Uau! Enfim um filme do Batman!”

O Woody Allen de 2005 é um dos mais especiais da carreira do diretor. No começo do novo século o mundo todo começava a duvidar da capacidade criativa do nova-iorquino: a fonte havia se esgotado. E então, em 2005, ele fez “Match Point”. O filme representa uma grande virada na carreira do cineasta. Foi a primeira vez (em mais de trinta anos) que ele não filmou em Nova Iorque. Mais que isso, foi a Londres (e acabou se apaixonando pela cidade onde voltaria a filmar mais algumas vezes), do outro lado do Atlântico. Alguns (o próprio diretor, inclusive) consideram “Match Point” como o melhor filme de Allen. Não é exagero. E foi também nesse longa que o diretor começou seu relacionamento com a sua atual musa, a atriz Scarlett Johansson.

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Quem começava a se destacar como realizador em Hollywood em 2005 era George Clooney. Deixando de ser apenas o galã, as suas investidas como produtor e diretor em 2005 frutificaram bem: tanto “Boa Noite e Boa Sorte” (Good Night, and Good Luck, George Clooney) quanto “Syriana” (idem, Stephen Gaghan) são ótimos filmes e vinculados a temas políticos, como Clooney gosta. O primeiro lhe valeu indicações ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original em 2006 e o segundo lhe rendeu a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, a primeira da sua carreira. Clooney, depois de ter sido o Batman com mamilos, passava a ser visto com respeito por Hollywood.

Fernando Meirelles se consagrou internacionalmente com “Cidade de Deus” (2002), que foi insolitamente indicado a QUATRO Oscars (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição), mesmo sendo um filme em português. O sucesso o levou aos EUA e o seu trabalho de estreia por lá saiu em 2005. “O Jardineiro Fiel” (The Constant Gardner), um filme político com uma pitada de policial, denunciava as ações da indústria farmacêutica mundial na África e foi bastante elogiado. Rachel Weisz levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme.

O taiwanês Ang Lee havia maravilhado o mundo com “O Tigre e o Dragão” (Wo hu cang long, 2000) e depois disso dirigiu “Hulk” (2003), a nem tão bem sucedida adaptação do golias esmeralda para os cinemas. Quando estreou “O Segredo de Brokeback Mountain” (Brokeback Mountain), em 2005, o mundo foi surpreendido com uma triste história de amor que era extremamente sensível e dura ao mesmo tempo. “O Segredo de Brokeback Mountain” foi o primeiro de uma nova safra de filmes hollywoodianos tratando sobre a homossexualidade não de forma caricata ou ridícula, mas como algo que faz parte da nossa sociedade e é discriminado por ela. Ang Lee levou o Oscar de Melhor Diretor pelo filme, mas o de Melhor Filme acabou ficando com “Crash – No Limite” (Crash, Paul Haggis).

Por fim não dá para falar de 2005 nos cinemas sem nos lembrarmos que a malfadada segunda trilogia de Star Wars encerrou-se nesse ano com “Guerra nas Estrelas – Episódio III: A Vingança dos Sith” (Star Wars: Episode III – The Revenge of The Sith). Esse conseguiu ser o melhor filme da nova trilogia (o que não é grande coisa, já que os dois primeiros…) e tem algumas sequências memoráveis, como a luta de Anakin com Obi-Wan sobre a lava e o icônico momento em que o Imperador Palpatine olha para Darth Vader e ordena: “Rise!”

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2005 teve cavaleiros jedi, cowboys, pinguins, homens-morcego e ativismo político. Perdemos o Papa João Paulo II. Estourou o escândalo do Mensalão. A Microsoft lançou o X-Box 360. E no meio disso tudo nascia o PáginaDois. Parabéns, Rodka e Clarice!! E que venham muitos outros aniversários!!

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