O punk feminista da banda Le Butcherettes

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por Cassiano Rodka

A banda Le Butcherettes surgiu pelas mãos da vocalista e guitarrista Teri Gender Bender. Filha de mexicanos, ela cresceu nos Estados Unidos sentindo na pele o preconceito em relação à sua origem e ao fato de ser mulher. Ficou conhecida no colégio por nunca levar desaforo para casa e encontrou nos palcos o local perfeito para destilar suas ideias em relação a tudo o que ela via de errado ao seu redor.

Aliando-se à baterista Auryn Jolene, Teri gravou o EP “Kiss & Kill” em 2008, que versa sobre igualdade de sexos, abuso e sexualidade do início ao fim dos seus quase 20 minutos. Ao vivo, a mensagem feminista fica ainda mais clara: a vocalista aparece com um vestidinho anos 50 e um avental, munida de vassouras e espanadores. Usando esses símbolos de submissão feminina, a cantora brada suas letras, pulando, dando cambalhotas, cortando os cabelos e se sujando com sangue falso. Teri Gender Bender é PJ Harvey e Iggy Pop em uma só pessoa.

Em 2009, Auryn Jolene deixou o grupo e Teri decidiu se mudar para Los Angeles, onde passou a tocar com o baterista Normandi Heuxdalfo. Em 2011, a banda gravou seu primeiro álbum, “Sin Sin Sin”, com produção de Omar Rodríguez-López do Mars Volta, que também assumiu o posto de baixista. Nele, Teri decidiu criar algumas faixas nos teclados, resultando em ótimas músicas, como “The Leibniz Language”, “Tainted in Sin” e a jazzística “The Actress That Ate Rousseau”. Há espaço para faixas minimalistas, como a enérgica “Dress Off”, que se resume a vocal e bateria, e também para canções bem trabalhadas, como o single “Henry Don’t Got Love”, com muitos vocais e a participação de Berenice Einung no violoncelo. O single fez um certo barulho no circuito alternativo, garantindo à Le Butcherettes convites para abrir shows do Deftones, do Yeah Yeah Yeahs, do Dillinger Escape Plan e do próprio Mars Volta.

Depois de uma extensa turnê pelos Estados Unidos e pela Europa, a banda voltou para casa e gravou seu segundo álbum, intitulado “Cry Is for the Flies”. Lançado em 2014, o novo disco capta a energia da banda ao vivo melhor do que os anteriores. O teclado é utilizado novamente, de forma minimalista e mais punk, quase como se fosse uma guitarra mesmo. Basta escutar a faixa de abertura, “Burn the Scab”, para entender o que quero dizer. O vídeo criado para a música “Demon Stuck in Your Eye” tem chamado atenção por ter uma história bizarra e pouco compreensível, que inclui um cowboy dançante com máscara de “luchador” mexicano e um velho que aparentemente sequestra a vocalista para lhe propor casamento. Assim como o single do disco anterior, a música é um punk sujo, mas com apelo pop. O disco conta também com duas presenças ilustres: Mr. Henry Rollins monologando na faixa “Moment of Guilt” e a vocalista do Garbage, Shirley Manson, fazendo um dueto com Teri na faixa bônus “Shame, You’re All I’ve Got”. A bandeira feminista está em boas mãos!

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