2014: até aqui

por Pedro Cunha

O ano de 2014 ainda não terminou mas já teve muita coisa bacana acontecendo nas telas grandes até aqui. Diversão para todos os gostos e teores.

Para os saudosistas do Brasil inteiro, nenhuma notícia poderia ser melhor do que os ciclos de clássicos que o Cinemark vem exibindo. Ter a oportunidade de ver “O Poderoso Chefão” (The Goodfather, Coppola, 1972), Taxi Driver (Scorsese, 1976), “Nascido Para Matar” (Full Metal Jacket, Kubrick, 1987) ou “Lawrence da Arábia” (Lawrence of Arabia, David Lean, 1962), entre (vários) outros, na tela grande é algo que não deve ser desperdiçado. O projeto do Cinemark começou meio despretensioso e obteve grande sucesso, tanto que já está na “terceira temporada” e tenho certeza que outras virão. Confira heroise no Cinemark da sua cidade estão passando os clássicos: http://www.cinemark.com.br/classicos-cinemark-terceira-temporada

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As franquias de super-heróis se tornaram o trem pagador do cinema blockbuster hollywoodiano nos últimos anos e 2014 não deixou descontentes os fãs do gênero. “Capitão América 2: O Soldado Invernal” (Captain America: The Winter Soldier, Joe & Anthony Russo, 2014) é um filme melhor que o primeiro, já que não tem o compromisso de ser um “filme de origem”. A pegada do filme lembra os melhores momentos de Jason Bourne ou 007, com uma participação bacana de alguns coadjuvantes como Scarlett Johansson, que pela primeira vez na franquia Marvel vê a sua Viúva Negra deixar de ser um bibelô e ter bastante participação no filme, e Anthony Mackie, que constrói um Falcão muito bacana. O filme segue a tendência de integração do MCU (Marvel Cinematic Universe ou Universo Cinematográfico Marvel) e no final já temos, como sempre, um gostinho do que virá nos próximos filmes. A franquia dos X-Men respirou lindamente com “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido” (X-Men: Days of a Future Past, Bryan Singer, 2014). Singer foi o responsável pelos dois primeiros filmes da franquia, em 2000 e 2003, e certamente também um dos “culpados” pela enorme quantidade de filmes de quadrinhos que temos hoje. Seus X-Men mostraram que era possível, viável e lucrativo trazer os quadrinhos para as telonas. O terceiro filme da franquia, “X-Men: O Confronto Final” (X-Men: The Last Stand, Brad Rattner, 2006) foi um filme problemático e quase matou a franquia, que parou alguns anos. Um dos fatores que contribuiu para isso foi a saída de Singer do projeto. O diretor voltou como produtor no bacana “X-Men: Primeira Classe” (X-Men First Class, 2011), que renovou o elenco e deu uma arejada na franquia. O atual filme, Dias de Um Futuro Esquecido, tem o ambicioso objetivo de amarrar as pontas soltas e integrar o elenco antigo (Patrick Stewart, Ian McKellen) com o novo (James McAvoy, Michael Fassbender, Jenifer Lawrence). Singer consegue fazer isso contando uma história bacana e nos brindando com criativas sequências de ação que usam de maneira bem inteligente os poderes dos mutantes. O vilão, vivido pelo excelente Peter Dinklage, é um dos pontos altos do filme. Há pelo menos duas cenas marcantes: a abertura, que fez todos se apaixonarem por Blink, e a já antológica cena do filho de Magneto (que não pode ser chamado de Mercúrio por problemas entre a editora e a produtora) ao som da canção de Jim Croce, mostrando que supervelocidade é uma questão de ponto de vista, enfim. O filme, no seu final, reboota a franquia e deixa espaço para que o elenco novo (que é realmente muito bom) renove a franquia.

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Ainda falando em super-heróis, “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” (The Amazing Spiderman 2, Marc Webb, 2014) deu continuidade à nova saga do aracnídeo, um dos heróis mais populares dos EUA. Eu, que gostei do primeiro filme dessa nova fase, fiquei com sentimentos bem ambíguos por esse segundo. Se tem uma coisa que já aprendemos sobre filmes de heróis é que um herói é tão bom quanto forem seus vilões. Nesse sentido o filme falha miseravelmente. Nenhum dos dois vilões mostrados no filme consegue nos amedrontar ou cativar em nenhum momento, e as construções (de ambos) são quase pueris. Em compensação, Andrew Garfield é um Homem-Aranha melhor que Tobey Maguire. E um Peter Parker MUITO melhor. A química dele com a Emma Stone também funciona muito bem e isso para mim é o ponto alto do filme. Vamos ver se nas sequências os roteiristas conseguem desenvolver melhor um roteiro (e finalmente desenrolar a história envolvendo os pais de Parker).

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Por fim, ainda falando de heróis, o melhor do ano até aqui pegou quase todo mundo de surpresa. “Guardiões da Galáxia” (Guardians of the Galaxy, James Gunn, 2014) é um filme divertido com um roteiro despretensioso que juntou um elenco improvável e deu liga. O que dizer de um filme onde até o personagem do Vin Diesel conseguiu ser cativante? Enfim, a versão cósmica dos Vingadores funcionou. O visual de futurismo vintage casou harmonicamente com a (excelente) trilha sonora retrô e Gunn conseguiu contar uma história que nos deixou com gostinho de quero mais. Chris Pratt como o Star Lord consegue dar o tom certo para o papel e até Dave Bautista, o lutador, consegue convencer e divertir como Drax, o Destruidor. Já aguardamos ansiosos pela sequência.

O melhor de 2014 para mim, no entanto, não tem super-heróis: “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson, 2014) é talvez o melhor trabalho de Wes Anderson, o ponto máximo do estilo muito próprio que ele vem desenvolvendo desde “Os Excêntricos Tenenbaums” (The Royal Tenembauns, Wes Anderson, 2001). Com uma estética kitsch em um universo fictício que ora beira o fabulesco, ora é bastante verossímil, Anderson consegue nos prender contando uma história. O exercício do diretor é tornar a história protagonista da própria história. O que nos prende não é um personagem, mas a maneira como a história é contada. E isso não quer dizer que os personagens sejam desprezíveis, muito pelo contrário. Anderson reuniu um grande elenco (Adrien Brody, Tilda Swinton, Lea Seydoux, Ralph Fiennes, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keytel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton…) e fez um brilhante e lindo exercício de storytelling, como se diria em inglês. Saí do cinema encantado.

PS: Ainda não vi o novo do Woody Allen. Já sei que vou gostar, mas ainda não vi.

PS2: Fiquei muito feliz com a indicação de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” para ser o concorrente brasileiro no Oscar. Acho uma indicação bem significativa. Minha análise do filme você encontra aqui: https://paginadoisblog.wordpress.com/2014/05/15/hoje-eu-quero-voltar-sozinho/

PS3: Continuamos nossa cruzada pelo direito da opção por filmes legendados no cinema. E estamos perdendo.

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