Os novos tons de neon do Magnus

magnus_neon

por Cassiano Rodka

Magnus é um projeto de música eletrônica criado por dois belgas: o vocalista do dEUS, Tom Barman, e o DJ CJ Bolland. Em 2003, a dupla lançou o seu excelente álbum de estreia “The Body Gave You Everything” que mesclava eletro com influências de disco, funk, rock e jazz.

Passados onze anos, a dupla resolveu unir forças novamente para criar um novo trabalho, o disco “Where Neon Goes to Die”. Dessa vez, o foco foi na sonoridade dos anos 80. Nota-se a forte presença de sintetizadores e batidas dançantes que ecoam os beats da época. O clima oitentista permeia todas as canções, tornando esse álbum mais dark e mais coeso sonoramente do que as diversas influências do anterior.

O disco abre com “Puppy”, uma faixa com clima pop e que conta com a participação do guitarrista do Evil Superstars, Tim Vanhamel. O músico já havia tocado com Tom Barman durante a turnê de “Ideal Crash” do dEUS em 1999. A segunda faixa, “Last Bend” surpreende por ter versos cantados em português de Portugal. Os versos são entoados pela cantora e bailarina Blaya, integrante do Buraka Som Sistema, grupo português que se encaixa no gênero Kuduro. Tom Barman se arrisca a dividir alguns dos vocais em português e se vira bem o danado. “Trouble on a Par” é a que se mantém mais próxima do som do primeiro álbum da dupla e tem cara de single. A participação especial aqui fica por conta de Mina Tindle, uma cantora folk parisiense que fez sucesso na França com seu disco de estreia “Taranta”, de 2012.

Magnus_2014.jpg

“Future Postponed” possui ares de Depeche Mode com toques de nu jazz, é uma boa ponte entre o som antigo do Magnus e o atual. “Catlike” traz Tom Barman entoando um rap com a voz distorcida para ficar mais grave. O instrumental me soa como uma brincadeira com clichés do hip hop americano e a letra parece seguir esse conceito. “Regulate” traz uma sonoridade noventista, enquanto o single “Singing Man” volta ao clima dos anos 80, com a participação do vocalista do Editors, Thomas Smith, no refrão, lembrando muito o tom de voz de Dave Gahan do Depeche Mode. Na última faixa, o português aparece mais uma vez na introdução de “Death of Neon” no que parece ser um sample de uma notícia de telejornal sobre um objeto não identificado visto no céu.

Depois de mais de dez anos de silêncio, o Magnus voltou renovado e conseguiu criar mais um disco dançante e marcante, cheio de ideias musicais bem construídas e que merecem atenção. Que bom que estão de volta! Não esperem mais dez anos para lançar o próximo!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s