Um homem livre

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por Cassiano Rodka

Em seu novo disco, Aaron Freeman exorciza seu passado e abraça a liberdade de ser um novo homem.

Depois de 25 anos como frontman do Ween, o músico se viu em um beco sem saída. Musicalmente, ele sentia que a banda não tinha mais nada de novo a dizer e seu relacionamento com o velho parceiro musical, Mickey Melchiondo, estava indo de mal a pior. Depois de um show em que mal conseguiu tocar de tão bêbado, Freeman decidiu que estava na hora de realizar algumas mudanças na sua vida. Entrou em uma clínica de reabilitação e saiu em busca de um novo caminho musical para si. Sóbrio e renovado, lançou em 2012 um álbum de covers do compositor folk Rod McKuen. O clima tranquilo e as letras reflexivas davam o tom da nova persona de Aaron Freeman. Um homem em paz consigo mesmo.

Agora, em julho de 2014, o cantor e guitarrista lança seu primeiro disco de composições próprias desde o fim do Ween. Intitulado simplesmente “Freeman”, o álbum traz doze composições que passeiam entre o folk e o rock, com letras confessionais e, é claro, uma dosezinha de psicodelia.

O disco começa em clima de desabafo, com o cantor contando sobre seus sentimentos em relação ao Ween e à sua dependência alcoólica na bela “Covert Discretion”. A faixa é basicamente voz e violão, evidenciando o tom de conversa íntima. Depois de contar os altos e baixos de uma fase difícil da sua vida, Aaron termina a canção com um mantra super especial: “Fuck you all, I got a reason to live and I’m never gonna die”. Está dado o recado! O passado está morto e enterrado, ele agora é um novo homem.

A nova fase fez bem ao músico, que conseguiu se reinventar, sem deixar de lado o seu passado musical. Ecos de Ween são inevitáveis, como o próprio Freeman declarou, e estão claramente presentes no ótimo single “The English and Western Stallion” e na orientalesca “El Shaddai”, que remete a faixas como “Buckingham Green” e “I Can’t Put My Finger on it”.

O compositor também citou Paul McCartney como influência: “Se ele conseguiu acabar com os Beatles e seguir uma carreira solo, por que eu não conseguiria fazer o mesmo com o Ween?”. Talvez a faixa que mais lembre o começo da carreira de Paul seja “Delicate Green”, mas creio que os discos solo de outros integrantes dos Beatles também tenham servido de inspiração para Freeman, bem como os próprios lançamentos dos Beatles. Impossível não pensar em “While My Guitar Gently Weeps” escutando a balada “(For a While) I Couldn’t Play My Guitar Like a Man”. Já “More Than the World” é puro John Lennon na época do “Imagine”, com uma letra pessoal e frágil e um arranjo simples e direto.

A audição de “Freeman” é excelente do início ao fim. Posso dizer que não há uma faixa sequer que eu desgoste. Se este é o novo Aaron Freeman, estamos muito bem servidos e sobreviveremos a um mundo sem Ween.

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