Lorenzo (parte I)

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imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Lorenzo era ascensorista, mas ele gostava mesmo era de tocar bateria e se apresentar com sua banda nos finais de semana. Em troca de cerveja ou um churrasquinho de gato, não importava a moeda. Seu ídolo era Marcelo Bonfá, e Legião, a melhor banda do universo.

Naquela manhã, Lorenzo saía de uma dessas apresentações, vestido de preto, levava uma mochila pequena nas costas e dela dava para ver a ponta das baquetas, daí seu apelido: besouro. Apesar de ainda não ter dormido, caminhava assobiando. Pulou uma poça d’água e atravessou a rua correndo fazendo sinal para o 732 esperá-lo. Lorenzo gostava da falta de rotina que a música lhe proporcionava. Ele pediu licença e se sentou no primeiro lugar vago, ao lado de uma mulher. Apesar do ônibus ir quase vazio, ele sempre aproveitava as oportunidades para conhecer alguém e falar de sua música.

Lorenzo era curioso e apesar de seus cabelos brancos, ele mantinha essa qualidade desde criança. Seu pai morreu quando ele era bem jovem. As lembranças que tinha dele eram, na maioria, suas próprias invenções. Sua mãe sempre contava que seu pai tinha quase batido o carro para comprar-lhe um sorvete de massa no caminho da maternidade.

Lorenzo era magro e alto. Usava roupas, mas preferia andar pelado. Suas cores favoritas eram o azul escuro e o preto.

No ônibus, virou-se para a mulher ao seu lado e disse sorrindo.

– Muito prazer, sou Lorenzo.

A mulher respondeu, de canto de olho.

– Ana.

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