Espelho

Espelho_P2.jpg
imagem: Cassiano Rodka

por Isabel Dall’Agnol

Olhou no vidro e
não viu quase nada.
Perdera o viço.

A pele cinza e os
olhos sombrios eram
a pista, que se perdia
na carne farta.
Via tudo embaçado.

Mediu sua velha armadura
e sentiu pena.
A mancha ocupava
o seu íntimo.

Concentrou-se no
volume de falhas.
A culpa vestiu
o segredo.

Ligou o morbo aos
dias da ordem.
Cobriu a mania.
Lamentou a bagunça.

Encarou o retrato.
Fez-se tão pequena
e seca, que, finalmente,
assim refletiu.

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