Todas as estações

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Meu outono interno começou. Posso sentir as mudanças. A calmaria que anda tomando conta do meu corpo. Amadureço, aos poucos, e posso sentir minhas folhas caindo. Para dar lugar, pouco a pouco, a uma pele mais resistente às intempéries da vida. Para suportar todas as dores que inevitavelmente a “melhor idade” um dia há de me apresentar.

Tenho uns flashes longínquos da minha primavera. Distante já. Ausente, mas tão presente. Primeiras descobertas. Pequenas felicidades certas. Pouquíssimas decepções. Amor maternal sempre à disposição.

O verão me veio com força. Suas lembranças são mais vivas. Tempo do sangue ferver. De arriscar. Aventurar-se. Ir a fundo sem medir consequências. Alucinar. Colocar tudo à prova. Cair. Chorar. Levantar e seguir adiante.

E assim agora vejo-me em meu outono. Nada poderia ser melhor do que a razão sobrepondo-se, mais soberana, à emoção desenfreada do verão. Sentimento ainda incipiente, mas que vai tomando corpo com força e serenidade. Paradoxo? Talvez. Não me importa. Sou conhecida pelos meus contrapontos.

Aguardo tranquila meu inverno. Tempo de serenidade absoluta. De certezas. De mais força e razão ainda. Só espero que em algum lugar fique o sentimento. Não agitado como na primavera, nem devastador como no verão, e nem tão paradoxal como no outono. Mas verdadeiro e absoluto, e ainda assim cheio de lirismo, para que eu possa continuar escrevendo, sempre.

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