Correspondências parte 10

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imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Caro Vinicius,

“Você avançou na frente de todos nós… Apenas desejo intensamente que não avance demais, para não cair do outro lado. …Tem de ser equilibrista até o final… apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame ainda a percorrer – sempre exibindo para o público um falso sorriso de serenidade.”

A maturidade não me garantiu (e acredito que nunca garantirá) a precisão que tu tens com as palavras. Como dizia meu estimado avô: tu tens uma precisão “irritante” com as palavras. Deves ter sido matemático em outra encarnação, uma pena que não acredites nisso.
Antes de começar esta carta que lhe escrevo hoje, dei-me ao trabalho de reler nossas correspondências passadas (por isso me demorei tanto!). Através delas percebi como nossas palavras foram mutuamente acalentando um ao outro. Preciso dizer que, talvez, se não fosse pela leveza que elas nos trouxeram, nós não tivéssemos sobrevivido à Ana.
O texto acima foi extraído de uma das cartas de Fernando Sabino à
Clarice, mas hoje desejei eu mesmo ter-lhe escrito estas linhas, pois
nelas está o que acredito ser um caminho respeitável em nossa profissão.

Me despeço agora e o alerto que muito em breve ouvira de teu amigo outras novas, a respeito de teu capítulo final.

Nos encontramos…

João.

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