Os melhores de 2013

por Cassiano Rodka

Novo ano, nova lista. Apesar de ter ouvido mais artistas antigos do que contemporâneos durante 2013, eu certamente escutei alguns bons discos que acho que merecem uma visitada. Daan e Eels, lamento, mas vocês ficaram de fora desta vez…

John Grant – Pale Green Ghosts
Casando o folk com o eletrônico, John Grant criou um conjunto de canções sensíveis e dançantes. As composições são simples, mas cheias de boas texturas e as letras pessoais e cheias de humor negro do cantor garantem apego logo nas primeiras ouvidas. O músico encontrou uma sonoridade que é só sua e soube usar muito bem essa linguagem para criar canções memoráveis. Eu poderia terminar a minha lista por aqui mesmo, mas vamos dar uma chance aos outros.

Queens of the Stone Age – …Like Clockwork
No mais recente álbum do Queens, Josh Homme parece ter resolvido experimentar novos caminhos, explorando instrumentos e efeitos eletrônicos para compor um álbum de canções mais arrastadas e cheias de camadas. O resultado é algo entre o Queen e o Black Sabbath, com músicas climáticas e etéreas, mas sem deixar de fora os riffs pesados, é claro. Longe de ser um disco com hits fáceis, “…Like Clockwork” é daqueles álbuns onde as músicas vão devorando o nosso cérebro aos poucos e sentimos que precisamos escutá-las mais e mais vezes.

Mexican Dubwiser – Revolution Radio
O DJ mexicano fez sua estreia musical com um disquinho pra lá de peculiar: misturando cumbia com rock, reggae, blues, hip hop e o escambau, o cara conseguiu construir canções que animam qualquer festa sendo NADA óbvio. Fui conquistado já no primeiro single, “Trouble in My Soul”, construído em cima de um sample de “Stripsearch” do Faith No More e com direito a participação do baixista da banda, Bill Gould, e o vocal mega grave do cantor de blues Artwork Jamal, falecido no ano passado.

Daft Punk – Random Access Memories
É quase impossível não incluir o último disco da dupla francesa em uma lista de álbums de 2013. E eu definitivamente não vou deixar ele de fora. A banda resolveu dar um mergulho na cena disco dos anos 70 e trazê-la para a atualidade. Com o genial produtor musical Giorgio Moroder no comando da nave, não poderia ter dado outra: um grande apanhado de belas músicas, boas para a pista de dança e para escutar em casa.

Secret Chiefs 3 – Book of Souls: Folio A
Escutar o que se passa na cabeça de um músico como Trey Spruance é sempre uma viagem imersiva e fascinante, como um passeio pelo túnel do terror de um parque de diversões que a gente tem que fazer de novo logo que acaba. No novo disco do SC3, a banda mostra que ninguém sabe fazer surf-rock-indiano-death-metal-cinematográfico-eletrônico como eles. E ainda tem uma cover marota de Jacques Brel com Mr. Mike Patton no vocal.

Sparks – Two Hands One Mouth Live in Europe
Eternamente inclassificável, o Sparks é daqueles grupos que fazem o que bem entendem independente de modismos e tendências, soando sempre belamente deslocados dentro de qualquer cena musical. Ouvir as canções da dupla, que geralmente são pomposas e cheias de camadas, apenas com teclado e voz é, no mínimo, inusitado. E o resultado é um show divertido e, é claro, completamente out.

Triggerfinger – Faders Up 2
O segundo disco ao vivo da melhor banda belga da atualidade é perfeito para adentrar no universo roqueiro do Triggerfinger. O álbum mostra os músicos mandando excelentes versões das músicas de seus três discos de estúdio e algumas covers, como “I Follow Rivers” da cantora sueca Lykke Li, que pegou os caras da banda de surpresa e resultou em um single #1 em diversas paradas europeias.

Marcelo Camelo – Ao Vivo no Theatro São Pedro
Mais do que um disco ao vivo com ótimas releituras acústicas de clássicos do Los Hermanos e de sua carreira solo, “Ao Vivo no Theatro São Pedro” traz Camelo aproveitando o formato para apresentar novas composições e músicas compostas para outros artistas e cantadas aqui por ele pela primeira vez. O resultado soa perfeitamente como um disco, sólido e congruente.

Sebadoh – Defend Yourself
Depois de 14 anos sem lançar novidades, a “outra” banda de Lou Barlow retorna com um álbum muito bacana e despretensioso. Fazendo uma perfeita ponte entre a sonoridade indie rock da banda durante os anos 90 e a atual carreira solo folkeira do vocalista, “Defend Yourself” traz canções acústicas e roqueiras que fazem jus aos melhores discos do compositor.

Pixies – EP1
Sim, é um EP. São apenas 4 músicas. Mas é o suficiente para o Pixies provar que ainda tem relevância para criar um disco bom do começo ao fim. Longe de ser um repeteco do que eles já fizeram, o EP1 mostra que a banda ainda tem bala na agulha para agradar os velhos fãs e certamente conquistar novos.

Neil Gaiman & Amanda Palmer – An Evening with Neil Gaiman & Amanda Palmer
Registrando as noites de shows que a cantora Amanda Palmer fez ao lado de seu marido, o grande escritor Neil Gaiman, o disco é certamente uma audição peculiar. Canções misturam-se com poemas e leituras, além de muitas conversas com o público, mostrando o clima discontraído dessa turnê, que mais parece uma “festa lá em casa”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s