On mute

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Estou com saudades da minha voz. Eu, que sempre a odiei. A achava feia, fininha, chata.

Minha voz. Meu instrumento de trabalho, uma das minhas ferramentas mais importantes e eficazes. Sem ela, hoje sei, sou apenas metade.

Ela resolveu ir-se há uns dois dias, assim, sem muito aviso. Causa: uma hemorragia em uma das cordas vocais. Começou com uma rouquidão boba. Se agravou depois de um divertido encontro de final de ano na minha terra natal, com minha irmã e primas. Abusei da voz, tomei vários tragos e falei alto, bem feliz e feito uma louca. Enfim, fiz algo normal, mas que em mim, naquele dia, não caiu bem!

E então a minha voz interna está toda animadinha, se manifestando a mil…! Eu, que normalmente já tenho uma voz interna muito ativa, me vi, de uma hora pra outra, refém exclusiva dela…

Vai ver o sumiço da minha voz externa foi de propósito: uma cilada do destino, em pleno final de ano, pra me fazer repensar fatos, atitudes, sentimentos, hábitos. Vai ver minha voz externa se foi para que eu possa ouvir ainda com mais atenção a interna sussurrando. Assim, vou aproveitar estes momentos silenciosos, ao máximo. Tentar me ouvir melhor, me compreender mais. Prestar atenção nos sussurros que vêm de dentro. Vai que eles têm algum segredo importante pra me contar?

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