Lou Reed, o eterno outsider

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por Cassiano Rodka

Dois acordes e um discurso. Lou Reed sempre apostou na simplicidade para compor, construindo uma moldura suficientemente sólida apenas para segurar o que realmente importava: sua poesia. O rock foi escolhido para ser o veículo de suas ideias, ora coberto com muita distorção, ora dedilhado com uma delicadeza silenciosa. O estilo inconfundível de interpretar suas letras deixava claro que, mais do que um cantor, ele era um poeta, declamando os seus escritos e revelando as histórias de personagens marginais e incompreendidos. Não é difícil olhar para o hall de personagens do compositor e enxergar o próprio Lou Reed.

O guitarrista parece ter sempre tido seu valor reconhecido anos após o lançamento de seus discos. O reconhecimento do Velvet Underground só veio depois de a banda terminar. Os seus primeiros álbuns solo foram recebidos com desdém para depois transformarem-se em clássicos do rock. Apesar de ser da mesma turma de David Bowie e Iggy Pop, por alguma razão, Lou Reed permaneceu sempre mais à margem que os seus companheiros. Reed foi sempre um outsider. Um artista cult, mas nunca aceito em sua totalidade pelo mainstream. E não que ele facilitasse qualquer aceitação. O músico sempre fez seu próprio caminho e nunca temeu fazer escolhas difíceis, adquirindo um gosto pelo subversivo. Essa autenticidade fez com que muitos músicos encontrassem em Reed a inspiração para que eles mesmos tomassem um rumo próprio.

Lou Reed tornou-se o pai do rock alternativo. Diversos artistas ganharam coragem para empunhar guitarras e formar bandas de rock onde pudessem cantar as suas verdades. R.E.M., Nirvana, Strokes, Violent Femmes, Little Joy, dEUS, Sonic Youth, creio que toda a nata da música alternativa tenha passado pelo incrível ritual que é escutar um álbum do Velvet Underground pela primeira vez.

Daqui para frente, consigo ver Hollywood produzindo uma cinebiografia e, aí então, quem sabe veremos Lou Reed finalmente abraçado por um público maior. Seu lugar entre os grandes ídolos do rock já está garantido. Mas não em meio a eles, é claro. Lou permanece sentado no meio-fio, em meio aos Severins e às Candies jogados na sarjeta.

Nas palavras do próprio compositor em ‘What’s Good’: “Life’s good. But not fair at all”.

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