Retrato

retrato
imagem: Cassiano Rodka

por Isabel Dall’Agnol

Meus pensamentos escorregam
pela minha caneta, mas
se perdem em meio às linhas
do meu caderno branco.

Não tenho o que escrever.
Não tenho o que dizer.
Não sei o que fazer.

Ando tão vazia que minhas
ideias fogem de mim.
Voam por minha mente,
mas falham no meu papel.

Sinto-me inútil e fria.
Vazia, vazia, vazia…

Meu velho reflexo
no espelho
não me engana.
Sigo amante dessa
tristeza que carrego
aqui dentro.

Essa tristeza que
se deita comigo.
Essa tristeza que
me prende ao chão.
Essa tristeza que insiste
em me faze desistir e
deixar de sonhar.

Essa tristeza que
sequer tem nome.
E que, mesmo quando
se afasta, posso
sentir me observar.

Ah, que vazio…
Ah, que vazio…
Ah, que vazio…

E de nada adianta
tentar me concentrar.
Odeio minhas palavras.
Odeio todas as palavras.

Perco tempo…
Perco o prazer…
Perco a vida…

Ah, minha tristeza…
És tão pesada que
nem mesmo todas
as paisagens que assisti
podem apagar essa dor.

Ah, minha tristeza…
És tão forte que
nem mesmo todos
amores que tenho
podem confortar
essa solidão.

Ah, minha tristeza…
Fazes tanta parte
de mim que ao
me olhar no espelho
já quase vejo teu retrato.

Pergunto-me, então:
Quando vais me apagar…?

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