Homem de Ferro 3

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por Pedro Cunha

Quando fui ao cinema para ver “Homem  de Ferro 3” eu tinha uma expectativa de que pudesse haver alguma mudança na condução da trama. Jon Favreau, o diretor dos dois primeiros longas do Vingador Dourado (como ele é conhecido nos quadrinhos) afastou-se da direção e ocupou-se da produção, chamando para dirigir um dos roteiristas do filme, Shane Black. Black é o roteirista da série “Máquina Mortífera” e de outros filmes de ação como “O Último Boy Scout” (The Last Boy Scout, 1991) e “O Último Grande Heroi” (Last Action Hero, 1993). O que une os filmes de Black é o fato de que além de terem boas cenas de ação eles também tinham bastante humor, o que faria com que ele parecesse o cara ideal para tomar as rédeas da série do Homem de Ferro, uma vez que essa foi a grande marca do primeiro (e ótimo) filme, dirigido por Favreau. O segundo, também dele, é bastante inferior. Fiquei curioso então em ver como a mudança da direção afetaria o filme. Os trailers que eu vi no cinema me deixaram, como fã de quadrinhos que sou, ainda mais curioso. Teríamos a presença do Mandarim, um dos vilões mais bacanas do Homem de Ferro!

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Tony Stark em momento hamletiano: ser ou não ser?  

O filme de Black cumpre o que promete, é a primeira coisa que temos que dizer. Estão presentes as cenas de ação (numa quantidade maior do que no segundo longa), e a qualidade delas é muito melhor do que as do segundo filme. As brigas do Homem de Ferro com os terroristas aprimorados pelo extremis (outra boa referência aos quadrinhos) são muito boas, dentro do estilo HQ de brigas de cinema, aquele irreal onde pessoas são jogadas a centenas de metros, quebram pilastras com o corpo e nada acontece com elas (Se você não reclamou disso no “Sin City” de Snyder nem nos “Batman” de Nolan não pode reclamar agora…). O roteiro acerta em gravitar o filme todo em cima daquilo que já sabíamos que funcionava: Robert Downey Jr e o papel dele próprio que salvou sua vida cinematográfica, Tony Stark/Homem de Ferro. Nesse sentido, é bom dizer, temos muito mais Tony Stark do que Homem de Ferro, e o filme ganha com isso. O bom elenco de apoio gravita em torno de Downey Jr com o diretor tomando cuidado para que o protagonista não seja nunca eclipsado. Gwyneth Paltrow como Pepper Pots e Don Cheadle como James Rhodes/Máquina de Guerra estão confortáveis nos papeis e já conhecem seus personagens. Nesse sentido, podemos destacar uma presença maior de Pots que, pela terceira vez, desempenha o papel de Olívia Palito, a donzela em apuros a ser resgatada, mas que dessa vez dá um giro interessante no seu personagem no terço final do filme. Dentre os vilões, Guy Pearce interpreta Aldrich Killian, o rival econômico de Stark. O inimigo do Homem de Ferro é O Mandarim, um terrorista internacional vivido pelo experiente Bem Kingslay (oscarizado por “Gandhi” em 1982 e que tem ainda “A Lista de Schindler” e “A Invenção de Hugo Cabret” na sua loooonga lista de 111 filmes) que parece, num primeiro momento, inspirado claramente em Osama Bin Laden e sua guerra com o Ocidente, fazendo dele já bastante diferente do Mandarim dos quadrinhos, cuja origem é bem anterior a Bin Laden. Completa o casting a sempre competente Rebecca Hall (a neurótica insegura Vicky em “Vicky Cristina Barcelona”), como Maya Hansen, um personagem complicado de classificar na dicotomia “bem/mal” que às vezes temos nesse tipo de filme.

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O Mandarim do filme e o Mandarim dos quadrinhos, bastante diferentes. 

O roteiro, por vezes bem previsível, segue a linha clássica de “humilhação-destruição-redenção-vingança” do herói. Um arrogante Homem de Ferro lança um desafio para o então recém-chegado Mandarim, que prontamente responde numa das cenas mais fantásticas do filme, a destruição da já famosa casa do playboy em Malibu. Não acho que seja spoiler falar disso porque essa cena foi amplamente divulgada em teasers e trailers antes do lançamento do filme (aliás, acho que hoje em dia há teasers, trailers e promos DEMAIS, mas isso é outro assunto…). A partir daí começa a jornada de redenção que passa pela perda simbólica inclusive do mordomo virtual Jarvis e pela reconstrução da própria armadura. Nessa jornada o herói conta com a improvável ajudar de Harley Keener (Ty Simpkins), um precoce menino de 10 anos. E sim, a criança é o que há de pior no filme. É forçado, é propositalmente piegas, não funciona. Desculpa, não consegui.

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Stark, o Homem de Ferro e o jovem Harley: não. 

Uma das coisas bacanas do filme foi a integração com os eventos de “Os Vingadores” (The Avengers, Joss Whedon, 2012). Tony Stark, um homem numa armadura, lutou ao lado de um deus, um supersoldado herói da Segunda Guerra e do Hulk contra invasores extradimensionais e um deus da trapaça. O que isso faz com a cabeça de alguém? Deu uma pirada em Tony Stark, que adquiriu os sintomas da síndrome do pânico e passou a trabalhar obsessivamente em novas melhorias e protótipos de armaduras. Em determinado momento do filme nos é dado a entender que Stark já fez mais de 40 diferentes armaduras, e a participação de cada uma delas na última tomada de ação do filme constrói uma cena deliciosa de se assistir.

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Armaduras: nunca é demais. Qual o melhor modelo para um sábado à noite? 

Além da questão técnica, onde o filme não peca, temos que destacar Downey Jr, mas sempre lembrando que Tony Stark é sua zona de conforto. A virada na trama do Mandarim também é interessante, apesar de não ser inédita. Chris Nolan fez algo bem parecido com seu Ra’s al Ghul em “Batman Begins” (2005), é bom lembrar. O roteiro é previsível e o filme cai muito bem como entretenimento, que é o que ele se propõe a ser. Melhor, substancialmente, do que o segundo longa do Homem de Ferro, mas talvez eu só tenha essa impressão porque o segundo, na verdade, foi uma grande decepção depois do ótimo filme que foi o primeiro. Enfim. Os Estúdios Marvel continuam na sua pretensiosa ideia de construir, nos cinemas, um multiverso interligado, no que têm tido sucesso até agora. A próxima atração, ainda para este ano é o segundo filme do Thor, (Thor: The Dark World, Alan Taylor), agora sem a direção de Kenneth Brannagh. Para 2014, teremos o segundo filme do Capitão América (Captain America: The Winter Soldier, Anthony e Joe Russo) e o primeiro dos Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, James Gunn). Eu adoro os Guardiões, mas confesso que fiquei muito surpreso ao saber da coragem da Marvel de lançar um filme com heróis completamente desconhecidos do grande público. Pena que a Marvel tenha licenciado alguns de seus heróis e não possa integrá-los a esse megauniverso cinematográfico. A saber, Homem Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men e Wolverine tiveram seus direitos vendidos pela Marvel antes da criação dos Estúdios Marvel, o que pode resultar em coisas bizarras como termos os personagens Mercúrio e Feiticeira Escarlate tanto na franquia dos Vingadores (com o segundo filme confirmado para 2015, sob a batuta de Joss Whedon) quanto na dos X-Men, onde a Fox planeja lançar “X-Men: Days of Future Past” (novamente com Bryan Singer, que dirigiu os dois primeiros longas dos mutantes) no qual especula-se a presença de ambos, que são os filhos de Magneto.

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Chega em agosto o segundo filme do Thor

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Arte feita pelos fãs para um pôster de “Guardiões da Galáxia”. Uma aposta improvável onde possivelmente aparecerá com mais destaque o vilão Thanos, que aparece na cena pós-créditos de “Os Vingadores”

Para ler sobre Homem de Ferro 2: http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=36

Para ler sobre Homem de Ferro e tudo que veio antes de Homem de Ferro 2: http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=35

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