Rufus Wainwright em POA

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Ninguém notou, mas o compositor Rufus Wainwright esteve em Porto Alegre apresentando as suas canções no palco do Teatro do Bourbon Country. Em turnê para divulgar o seu álbum mais recente, “Out of the Game”, o músico apresentou o seu repertório acompanhado apenas de um piano e um violão.

Esbanjando muita simpatia, o cantor conversou bastante com a plateia entre as músicas, contando algumas das situações que geraram algumas das composições. Dentre as histórias que contou, revelou que cultivava um ódio mortal pelo cantor Jeff Buckley, pois ambos iniciaram a carreira na mesma época, mas todos pareciam prestar mais atenção no outro músico. Para completar, os dois gravaram uma versão de “Hallelujah” do Leonard Cohen e a crítica elegeu a versão de Buckley como uma interpretação insuperável. Em uma noite, acabou conhecendo o seu arqui-inimigo e, depois de muito conversar com ele, baixou a guarda e reconheceu que ele era um cara simpático e que seu ódio era puro ciúme do talento alheio. Tornaram-se amigos, mas um mês após esse encontro Buckley faleceu em Memphis. Só então Rufus Wainwright escutou a versão de “Hallelujah” do outro músico e confessou que ficou feliz de não ter ouvido antes, pois era tão boa que jamais teria gravado a sua. Após a história, tocou “Memphis Skyline” e “Hallelujah”.

As músicas do disco novo acabaram soando melhores ao vivo do que em estúdio, pois dispensaram o exagero de elementos que a produção do último álbum apresentou. O formato piano e voz é perfeito para Rufus Wainwright, pois o músico é um grande pianista e tem uma voz de tenor incrível que preenche o ambiente. Das faixas antigas do compositor, destacaram-se “Vibrate”, “The Art Teacher”, “Going to a Town” e “Cigarettes and Chocolate Milk”, que fechou o show antes do bis. Nenhum álbum ficou de fora do setlist, tendo sempre pelo menos uma canção de cada um dos discos do cantor. A faixa que ele gravou para o filme “Brokeback Mountain”, intitulada “The Maker Makes”, também ganhou uma linda performance.

No violão, Rufus não mostrava a mesma destreza que no piano, talvez por estar um pouco bebinho (estava!), ou por não ser seu instrumento principal. Chegou a se confundir em algumas canções, pedindo ajuda comicamente para a plateia. Mas sem nunca perder o rebolado. Ao contrário, desfilou uma simpatia que eu não sabia que ele tinha. Fez questão de tocar algumas músicas no seu novo violão, recém comprado no Japão, que trazia uma estampa da Hello Kitty. No final, agradeceu a presença de todos e brincou com a falta de público: “Na próxima vez em que eu vier, avisem os amigos”. Figura!

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imagem: Cassiano Rodka

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