Parabéns, Tarantino!

por Pedro Cunha

E no último mês de março Quentin Tarantino completou 50 anos. Ganhou de presente da Academia seu segundo Oscar de Melhor Roteiro Original por “Django Livre” (Django Unchained, 2012). O primeiro veio na mesma categoria por “Pulp Fiction” (1994), em 1995. Em termos de premiação, é pouco em comparação com o quanto o diretor, roteirista, produtor e ator já contribuiu com a sétima arte.

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Tarantino em “Cães de Aluguel” 

Quentin Tarantino nasceu em 1963 na cidade de Knoxville, no Tennessee. Reza a lenda que cresceu trabalhando de balconista numa videolocadora, onde compulsivamente consumia tudo relativo a cinema que passasse pela sua frente. Esse fato ajuda a explicar a enxurrada de citações da cultura pop que estão presentes em todos os filmes de Tarantino. Tarantino apareceu para o mundo do cinema em 1992 com “Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs). A lenda diz que o filme só foi possível porque Harvey Keitel se interessou pelo roteiro e insistiu em levar a ideia adiante. A revista Empire elegeu “Cães de Aluguel” como o maior filme independente de todos os tempos, e é certo que ele causou. Já nesse filme aparecem as referências que Tarantino foi buscar na nouvelle vague francesa e no cinema de ação de Hong Kong, passando pelos filmes B trash que ele assistia nas sessões vespertinas dos cinemas mais baratos de Knoxville. “Cães de Aluguel” custou 1,2 milhão de dólares e rendeu mais de 14 milhões de dólares, que se não é bilheteria de um arrasa-quarteirão não deixa de ser um resultado nada desprezível. Mais do que isso, o filme deu a Tarantino a notabilidade para fazer o seu segundo filme.

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Quentin Tarantino em “Pulp Fiction” 

“Pulp Fiction” (1994) foi o primeiro filme “indie” a arrecadar mais que 100 milhões de dólares (foram 213 milhões para um orçamento de 8 milhões. Nada mal, hein?) e foi o grande acontecimento cinematográfico dos anos 90. O filme perdeu o Oscar de Melhor Filme para “Forrest Gump” (Robert Zemeckis, 1994), mas surpreendeu ao ganhar a Palma de Ouro em Cannes superando o favoritaço polonês Krzysztof Kieślowski e sua “Trilogia das Cores”. Cannes reconheceu o filme pelo seu arrojado grau de inovação: a história não-linear, os diálogos recheados de referências da cultura pop, a trilha sonora retro e a violência tão escancarada com a qual não sabemos lidar: é tão brutal, tão violento que chega a ser engraçado. Ronald Bergan, em seu “The Film Book: A Complete Guide to the World of Cinema” considera Tarantino a coisa mais importante que aconteceu em Hollywood de 1990 para cá. E eu concordo com ele. Pulp Fiction redefiniu muitas coisas e traçou uma nova linha. Se em 1995 a Academia ainda não tinha certeza se confiava em Tarantino, de lá para cá Hollywood se atirou nos tarantinismos. Em Jackie Brown (1997) Tarantino homenageia todo um gênero policial-B dos anos 70. A referência aos filmes B, aos filmes coreanos e de Hong Kong, aos spaghetti western e a tantos outros mundos cinematográficos estão espalhadas, aliás, por toda a obra do cineasta.

“Kill Bill vol 1” (2003) é, para mim, a obra-prima do diretor. Nunca ele foi tão ele mesmo, e explorou determinados elementos até o limite. Hoje gosto mais do volume 2 do que já gostei, mas ainda acho que destoa em relação ao 1. O volume 1 de “Kill Bill” foi um dos meus maiores momentos de estupefação em uma poltrona de cinema (saudades, cinema do Guion!!)

O último Tarantino, “Django Livre” (Django Unchained, 2012) é um faroeste de um Tarantino seguro usando elementos que conhece. As atuações de Cristoph Waltz (que ganhou seu segundo Oscar de Ator Coadjuvante, ambos por filmes de Tarantino) e Samuel L. Jackson (que já tinha trabalhado com o diretor em Pulp Fiction), mais um sensacional Leonardo di Caprio (muito injustamente sequer indicado para Ator Coadjuvante…) segurariam, por si, o filme do início ao fim. Além disso, Jamie Foxx está muito bem também, no papel de Django. O filme volta a um dos temas preferidos de Tarantino, a vingança. E se Tarantino sendo Tarantino já não surpreende tanto, continua sendo um diretor que tem a principal virtude de um diretor: ele sabe contar uma história.

Tarantino, além de diretor, é produtor, roteirista e ator. E não só nos seus filmes. Ele escreveu os roteiros de filmes como “Um Drink no Inferno” e “Assassinos Por Natureza”, foi produtor de outros como “O Albergue” e suas continuações. Nesse sentido Tarantino é aquilo que Hollywood mais gosta: um “realizador”, como Clint Eastwood, George Clooney e Woody Allen.

Nos resta então dar os parabéns ao Sr. Tarantino! E torcer para que ele continue sempre provocando, sempre no limite e sempre levando o cinema um passinho mais adiante. Já não é mais o “enfant terrible”, já que já são 50 aninhos, mas ainda é alguém que faz a indústria olhar para frente. Parabéns!

PS: Aqui tem um infográfico muito legal sobre curiosidades nos filmes de Tarantino: http://cinema.uol.com.br/infograficos/2013/01/17/conheca-algumas-curiosidades-sobre-os-filmes-de-quentin-tarantino.htm

PS2: E esse é com a quantidade de mortes: http://s2.glbimg.com/0mLyuCf7-stKf2eFjjrCyxfZaO_lic-K9LHz3cz2zNJIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w/e.glbimg.com/og/ed/f/original/2013/02/19/infografico-tarantino-high.jpg

PS3: E aqui a Rolling Stone Brasil escolhe os 10 melhores personagens de Tarantino (eu concordo só com uns dois ou três, mas enfim): http://rollingstone.com.br/galeria/os-10-maiores-personagens-de-quentin-tarantino/#imagem0

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