Meshell Ndegeocello homenageia a alma soberana de Nina Simone

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por Cassiano Rodka

A cantora e baixista Meshell Ndegeocello ganhou notoriedade no início dos anos 90 graças ao sucesso de seu single “If That’s Your Boyfriend (He Wasn’t Last Night)”. Com visual andrógino e influências de rap, funk e blues, a compositora chamou atenção da geração Mtv, que garantiu à moça os seus 15 minutos de fama. Nos anos seguintes, ela seguiu fazendo bons discos, mas foi esquecida pelo grande público. A crítica especializada seguiu rasgando elogios e músicos como Madonna e John Mellencamp convidaram Meshell para tocar em seus discos.

Lançando agora seu décimo álbum de estúdio, Meshell Ndegeocello decidiu homenagear uma de suas grandes influências. Em “Pour Une Âme Souveraine – A Dedication to Nina Simone”, ela interpreta 14 músicas do repertório da cantora e pianista. Misturando faixas mais conhecidas com outras menos tocadas, a instrumentista surpreende com verdadeiras reinvenções das canções, dando uma cara contemporânea e muito particular aos clássicos de Nina.

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O disco abre com uma versão blueseira de “Please Don’t Let Me Be Misunderstood”, com uma levada de guitarra funkeada e teclados etéreos. Confesso que só reconheci a música quando o vocal entrou. E é exatamente isso que me cativou nas interpretações de Ndegeocello. Mexer em clássicos da música é sempre um desafio complicado e a cantora não só tirou de letra, como fez um trabalho que soa atual e, por incrível que pareça, bastante autoral. As suas versões não devem nada às originais. Tenho certeza de que Nina Simone aprovaria.

É impressionante como a compositora conseguiu dar uma nova roupagem mesmo às canções mais batidas. É o caso de “Feeling Good”, que já foi interpretada por Muse, Eels, Julie London e Michael Bublé, e na homenagem de Meshell Ndegeocello ganhou um arranjo novo e contemporâneo, cuja sonoridade vai de Sade à Garbage na maior tranquilidade.

Além dos músicos de sua banda (Chris Bruce na guitarra, Jebin Bruni nos teclados e Deantoni Parks na bateria), a cantora ainda conta com participações especiais de nomes como Sinead O’Conner, Lizz Wright, Valerie June, Toshi Reagon e Cody Chesnutt. Ao lado de Sinead O’Connor, ela recriou “Don’t Take All Night”, do disco “Broadway-Blues-Ballads”, em uma versão pop acústica e contemplativa. As vozes das duas juntas ficaram perfeitas! Com Toshi Reagon, ela deu uma interpretação doce e suave para “Real Real” e criou uma versão soul funk incrível para “House of the Rising Sun”. Conhecida tanto na voz de Nina Simone como nas guitarras do Animals, a música ganhou vigor renovado nas mãos de Ndegeocello. Definitivamente um dos grandes momentos do disco.

A participação de Valerie June também se destaca, em especial na excelente versão lynchiana de “Black Is the Color of My True Love’s Hair”, que ganhou videoclipe no dia em que Nina Simone completaria 80 anos, 21 de fevereiro de 2013. O disco fecha com uma das composições políticas de Nina Simone, “Four Women”, que fala sobre quatro diferentes estereótipos de mulheres negras. No arranjo de Ndegeocello, a faixa vira um trip hop experimental com guitarras de blues. Coisa finíssima!

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