Sucumbir

Sucumbir_P2.jpg
imagem: Cassiano Rodka

por Isabel Dall’Agnol

Atirei-me nua na grama,
na esperança de despir-me
de todos os meus sentimentos.

Enquanto o vento
beijava o meu rosto,
desejei rasgar minha pele.

Enquanto admirava as
pétalas da árvore,
que me fazia sombra,
quis perder a visão.

Enquanto respirava o
cheiro do verde molhado,
almejei sufocar meus pulmões.

Enquanto o sol, gentilmente,
penetrava em minha casca,
ansiei arrancar meu coração.

E, por saber que
jamais seria capaz,
fantasiei chover
cacos de vidro.
Clamei por isso.

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