Arnaldo Baptista na Reitoria da UFRGS

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

“Gênio!”, gritava uma moça sentada em uma das primeiras filas. “Arnaldo Baptista é a pessoa mais linda do mundo!” repetia mantricamente um rapaz em transe ao fundo do Salão de Atos da Reitoria da UFRGS. Quem estava no palco era um dos cabeças dos Mutantes, um dos participantes do movimento tropicalista, um dos grandes defensores do uso da guitarra na música brasileira, um artista que aprendeu a caminhar entre a sanidade e a loucura com o desprendimento de uma criança.

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imagem: Cassiano Rodka

No show “Sarau o Benedito?”, Arnaldo Baptista toca canções de toda a sua carreira em um piano de cauda. Ao fundo, desenhos feitos pelo próprio artista nos ajudam a mergulhar em seu universo tão particular. Sem se guiar por um setlist, o músico deixa as canções surgirem de uma maneira muito natural, em trechos, e com improvisos atonais, como se ele estivesse em casa tocando para si mesmo. Dessa naturalidade, surgem ligações entre as suas músicas e as de artistas que ele admira, como Bob Dylan (“Blowin’ in the Wind”), Beatles (“Yesterday”), Rolling Stones (“Honky Tonk Women”), Elton John (“Rocket Man”) e Peter, Paul and Mary (“Puff (The Magic Dragon)”). Fui surpreendido pela cover de “I’m Sorry”, faixa bem bacana que ficou conhecida na voz da Brenda Lee, e que ficou ótima na versão do Arnaldo.

Do repertório dos Mutantes, Arnaldo selecionou “Posso Perder Minha Mulher Minha Mãe Desde Que Eu Tenha o Rock and Roll” e a clássica “Balada do Louco”, que soa mais sincera do que nunca na voz do compositor. Também houve espaço para “Trem”, do tempo do cantor com a banda Patrulha do Espaço, que foi recebida com carinho pelo público. Mas a maior parte da apresentação foi mesmo dedicada às suas canções solo, incluindo “Será Que Eu Vou Virar Bolor?” e “Não Estou Nem Aí”, além de algumas músicas inéditas de seu novo disco, “Esphera”, como “I Don’t Care” e a divertida “Gatinho Cetim”.

Para finalizar o show de forma circular, o compositor fez um bis com “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?”, a mesma canção que abriu a noite. Saiu do piano ensaiando uma cambalhota que não aconteceu e depois apareceu no hall da reitoria cumprimentando os fãs e distribuindo alguns autógrafos. Arnaldo Baptista é um músico talentosíssimo e uma figura pra lá de carismática. Não vai virar bolor nunquinha!

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imagem: Cassiano Rodka

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