Muse – The 2nd Law

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por Cassiano Rodka

Riffs de baixo distorcidos, solos de guitarra impecáveis, melodias de piano clássico, vocais agudos operísticos e drama, muito drama. O Muse é uma banda ímpar, que mescla peso, virtuosismo e música pop sem medo de enfiar o pé na lama ou cair no kitsch.

No novo álbum, o Muse cria mais uma ópera roqueira com muitos atos surpreendentes, cheia de boas surpresas e ampla diversidade musical. A primeira faixa, “Supremacy”, é uma introdução perfeita para o disco, com guitarras pesadas, violinos dramáticos, marcha de tambores, solos de trompete e vocais etéreos. Um híbrido esquizofrênico, lindo e feio ao mesmo. Um zumbi de terno. A segunda faixa é o single “Madness”, que parece o encontro do Queen com o Ladytron. Com uma levada bem eletrônica e um solo de guitarra super Brian May, a música pode assustar os fãs à primeira ouvida, mas é uma bela faixa. Pop, meio brega, esquisita, daquele jeitinho que só o Muse sabe fazer. A faixa seguinte é uma grata surpresa, um funkão roqueiro de primeiríssima, “Panic Station”, que a banda gravou com músicos que tocaram com Stevie Wonder em “Superstition”, ou seja, não preciso dizer mais nada. A quarta faixa, “Survival”, foi escolhida para ser trilha das Olimpíadas de 2012 e é uma balada de piano sobre a busca pela vitória, que vai crescendo e se transformando em uma ópera-rock dramática com solos de guitarra e um coro de vozes teatral.

O que chama atenção em “The 2nd Law” é a diversidade musical das faixas. Apesar de isso não ser uma novidade em se tratando de Muse, nesse disco a distância entre os gêneros parece ser mais abismal – no melhor dos sentidos.

Seguindo o disco, “Follow Me” é uma faixa eletrônica com ecos de U2, como se os Pet Shop Boy tivessem remixado uma faixa do Joshua Tree – mas especificamente “Where the Streets Have No Name”. As faixas seguintes, “Animals” e “Explorers”, talvez sejam as que mais se aproximam do som típico do Muse dos primeiros álbuns, funcionando como um pit stop de sanidade em meio a essa ópera eletro-rock esquizofrênica que é “The 2nd Law”. A música seguinte, “Big Freeze”, volta a trazer um toque U2, mas com uma inclinação eletrônica meio Justice. Talvez Matthew Bellamy tenha pego umas dicas com o The Edge na última turnê do U2, em que o Muse foi a banda de abertura. As guitarrinhas lembram um pouco INXS também. Tem cara de single.

As duas faixas seguintes marcam a estreia do baixista Christopher Wolstenholme no vocal principal. Encarregado normalmente dos backing vocals da banda, em “Save Me” e “Liquid State”, ele toma o microfone principal para cantar sobre sua recente batalha contra o alcoolismo. Enquanto a primeira é uma balada de guitarra, a segunda é um rock pesado. Não curti muito “Save Me”, que parece quebrar o ritmo do disco e não adiciona muito ao álbum depois de tantas melodias peculiares, essa fica muito sem graça. Já “Liquid State” é um rock bem bacana, com riffzinho a la Queens of the Stone Age e vocal meio Dave Grohl.

Assim como no álbum anterior, as últimas faixas são parte de uma suíte. Intitulada “The 2nd Law”, a música é dividida em duas partes: “Unsustainable” e “Isolated System”. A primeira parte é bastante cinematográfica, soa como algo que Danny Elfman teria feito para o Batman, mas depois transforma-se em um eletro-rock estilo Daft Punk. A segunda parte é um eletrônico tranquilo, meio ambient, meio Morricone, com samples de vozes de noticiários por cima. Bonita, mas não achei muito boa para fechar o disco. Eu definitivamente refaria a ordem das músicas, separaria as cantadas por Christopher Wolstenholme (ou até retiraria uma delas – “Save Me”) e abriria o álbum com “Unsustainable” (que é provavelmente o que eles farão ao vivo). Mas enfim, preciosismos à parte, “The 2nd Law” é mais uma grande viagem do Muse, cheia de boas surpresas e belas paisagens. Vale o tíquete.

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