Era uma vez…

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imagem: Ana Nitzan

por Marcella Marx

Uma samambaia, miudinha, ralinha e amarelada. Não gostava de viver ali, naquele quintal, cheio de paredes brancas de concreto. Ela lembrava sempre da linda floresta onde havia nascido. Um lugar raro para aquela época, cheio de outras flores e árvores. Pensava em sua fiel amiga e escudeira, uma bromélia vermelha:
– Será que ainda vivia por lá?
Uma jovem mulher, ativa e perfeccionista. Adorava plantas, cuidava delas com toda atenção, não media esforços. Havia se mudado para uma casa toda branquinha de azulejos cor de rosa. Seu jardim era cobiçado pelos vizinhos, não havia quem por ali passasse e não reparasse. Entretanto, há muito a jovem tentava de um tudo para que a samambaia vingasse, e nada. Até que um dia, a mulher teve uma ideia original:
– Guarde a água da carne! Vamos aguar a samambaia com ela!
E assim foi feito. A samambaia começou a ser tratada como gente. E dentro em pouco, vingou que era uma beleza. Viçosa como ela só, parecia piscar para as pessoas da rua. A jovem mulher era só alegria e orgulho. Gostava de chegar em casa e ver as folhas quase tocando o chão.
Um dia a família toda saiu, era domingo, dia de missa. Quando voltaram não viram mais a samambaia.
A mulher ficou tão triste e desolada que até chorou. Mas passado um tempo, ela preferiu acreditar que a samambaia havia realmente criado pernas, e assim foi, andando de volta para seu lar.

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