Estrangeiro

estrangeiro
imagem: Lívia Dall’Agnol

por Isabel Dall’Agnol

Minhas pernas e braços, cobertos de hematomas,
estão cansados de tropeçar em cadeiras e bater em paredes.
Enquanto minha carcaça, automaticamente, caminha,
minha mente está tão distante,
que sequer presta atenção em seus movimentos cambaleantes.
Por inúmeras vezes, estou sem estar.
Por inúmeras vezes, chego a um destino e percebo, simplesmente,
que não sei o que me levou até lá.

Não moro em mim.
Moro em qualquer lugar, mas não dentro de mim.
Não há espaço.
Pois aqui residem todos os temores e se calam todas as dores.

Assim como um bufão, posso fazer rir uma Corte inteira,
enquanto sangro por dentro.
Covardemente, utilizo-me de quantas faces forem possíveis, para esconder,
de mim mesma, quem sou de verdade.
E, ainda assim, acredito, equivocadamente, que estampo a alma no semblante.

Estou perdida em minhas respostas atravessadas.
Estou perdida em minha resistência às demonstrações de afeto.
Estou perdida em minhas dúvidas intermináveis e minhas perguntas incansáveis.
Eu não sei como viver a realidade.

Apreciam-me os sonhos.
Encontro-me quando flutuo, em meio a devaneios, músicas e palavras.
Liberto-me e crio um universo inteiro só para mim.
Um mundo onde eu possa soprar minha essência.
E é lá que eu moro.
Moro em minhas fantasias.

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