Por um dEUS mais espontâneo

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por Cassiano Rodka

Apenas 8 meses depois de lançar seu último álbum, “Keep You Close”, o dEUS anunciou no dia 1º de junho o lançamento de um novo disco. Em uma estratégia bem inesperada, a banda belga anunciou a novidade assim de uma hora para outra, pegando os fãs de surpresa.

“Following Sea” parece ser uma resposta ao disco anterior cujas músicas foram esculpidas à exaustão, demorando a ficar pronto e resultando em um álbum um pouco duro. O novo disco foi criado a partir de muitas jams, sem muita over-produção, dando prioridade às ideias espontâneas. É incrível perceber a diferença que faz esses dois processos de criação. As novas faixas são bem mais interessantes e diversas que as músicas lançadas no ano passado e o álbum soa mais fluido.

O título do disco surgiu quando o vocalista Tom Barman percebeu que havia feito inconscientemente muitas referências marítimas nas canções. Aliando isso ao fato das músicas possuírem muitas sonoridades inspiradas em diversas partes do mundo, o mar parecia ser a ligação entre todas elas.

O disco começa com o single “Quatre Mains”, primeira música do dEUS a ser gravada em francês. Em um instrumental de teclados cinematográficos meio 80s, Tom Barman declama a letra a la Gainsbourg. A segunda faixa, “Sirens” foi desenvolvida a partir de um trecho cortado da canção “Ghosts”, um dos singles de “Keep You Close”. Sendo assim, as músicas possuem uma certa continuidade em seus ritmos espanhóis e melodias suaves. A faixa “The Give Up Gene” faz reverência ao Brasil no uso do berimbau para criar o loop principal da música. A letra é inspirada no caso do navio italiano que afundou e cuja tripulação foi abandonada pelo capitão.

Algumas faixas trazem uma sonoridade experimental que remete aos primeiros álbuns do dEUS. É o caso de “Hidden Wounds”, baseada em um artigo publicado no The Guardian sobre o trauma pós-guerra que sofrem os soldados. O jornalista Erwin James deu permissão à banda para que parte do artigo fosse declamada na música. “Nothings” e “Fire Up the Google Beast Algorithm” também exploram o som avant-garde que muitos fãs das antigas sentiam falta nos discos atuais do dEUS.

Por outro lado, há músicas que evidenciam o talento para composições radiofônicas que a banda certamente possui. “Girls Keep Drinking” lembra um pouco Franz Ferdinand, com seus riffs de guitarra mecânicos e batida dançante. Segundo o vocalista, a letra fala sobre um típico passeio pela noite da Antuérpia. A ensolarada “The Soft Fall” foi inspirada nas passagens da banda por Portugal e será o próximo single. “Crazy About You” é uma das faixas mais pop do disco e foi incluída graças à insistência das namoradas dos caras da banda. O álbum fecha com “One Thing About Waves”, uma faixa épica nos moldes dramáticos do dEUS que fala sobre o nascimento das ondas e o seu tempo de duração.

Assim como o mar, “Following Sea” é um disco dotado de uma linda imensidão, cheio de surpresas e mistérios reservados a quem lhe concede um bom mergulho.

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