Terapia de grupo com o Los Hermanos

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imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Diagnóstico: Você está vivo. Solução: Show do Los Hermanos. Quem fala é o doutor. E é melhor você não duvidar dele.

A banda esteve em Porto Alegre celebrando seus 15 anos de carreira em duas datas no Pepsi On Stage. No sábado, dia 12 de maio, os ingressos estavam esgotados e o público que ocupou a casa de shows mostrava-se bem diverso: fãs antigos, novos adeptos e curiosos. Mas todos estavam lá para lavar a alma. É inegável que as letras de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante são a comissão de frente do espetáculo: sinceras, emotivas e, acima de tudo, humanas. Cada um possui uma interpretação pessoal para “Morena” ou “Do Sétimo Andar”, mas todos encontram uma maneira de se espelhar nas canções da banda. E isso acontece porque são narrativas verdadeiras, que mostram o lado frágil e sensível do ser humano. Um lado muitas vezes até embaraçoso, que procuramos esconder, mas em um show do Los Hermanos é hora de pôr isso tudo pra fora, aceitar nossas imperfeições e abraçar a alegria em estar vivo.

Mas não são só as letras que sustentam o espetáculo, o grupo é formado por alguns dos músicos mais talentosos da atualidade, que mesclam influências que vão de Chico Buarque a Mr. Bungle. Além dos quatro Hermanos, o show conta com o já conhecido (e simpaticíssimo) naipe de metais formado por Valtecir Bubu, Mauro Zacharias e Marcelo Costa e a presença do baixista e guitarrista Gabriel Bubu. Não é à toa que pode-se escutar o público cantando as partes instrumentais das músicas com a mesma empolgação que canta as letras.

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imagem: Cassiano Rodka

O setlist foi muito bem escolhido, abarcando todos os álbuns da banda, servindo mesmo como uma celebração desses 15 anos de carreira. A sequência de boas músicas chegava a impressionar e deixou claro que a carreira do grupo foi tão bem construída musicalmente que não existe muito como errar na escolha das canções. Não são necessários hits radiofônicos para animar a multidão de fãs, faixas como “Casa Pré-Fabricada” e “Além do Que Se Vê” que nunca tocaram no rádio, nem tiveram videoclipe, são entoadas com a mesma energia (ou ainda mais intensamente) que as mais conhecidas. Algumas canções, como “Último Romance”, ganharam arranjo diferenciado, com mais dinâmica entre as partes calmas e as mais agitadas. O grupo ainda surpreendeu com uma nova música intitulada “Um Milhão”, composta e cantada por Rodrigo Amarante. Uma percussão dançante marcava o ritmo para uma melodia serena e melancólica, me lembrando um pouco Radiohead, em especial a sonoridade do álbum “In Rainbows”.

No bis, surgiu talvez a melhor surpresinha do show: a banda fez uma linda versão para “Nunca Diga”, música dos gaúchos da Graforréia Xilarmônica e Marcelo dedicou a cover a eles: “Essa vai pro Frank, Pianta e Alemão; Graforréia Xilarmônica, grande amor do coração”. Para fechar com chave de ouro essa comemoração, seguiram quatro músicas do primeiro disco da banda, incluindo seu maior hit: “Tenha Dó”, “Anna Júlia”, “Quem Sabe” e “Pierrot”. No final do show, tendo revisitado todas as fases do grupo, já não restava a menor dúvida: o Los Hermanos é, de longe, a melhor banda que surgiu nos últimos tempos no Brasil.

(Ouvi dizer que alguns veículos criticaram a banda por cometer erros nas músicas ou desafinar nos vocais. Na boa, se você acha que o rock busca a perfeição, você não entende nada de rock. E se você não enxerga beleza na fragilidade humana, você definitivamente foi ao show errado.)

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