Gene Ween é o caralho! Meu nome agora é Aaron Freeman, porra!

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por Cassiano Rodka

Sob a alcunha de Gene Ween, o músico Aaron Freeman construiu sua carreira compondo alguns dos álbuns mais inclassificáveis do planeta. Como vocalista do Ween, Aaron se tornou conhecido por cantar diversos gêneros musicais em interpretações ora debochadas, ora apaixonadas. Ao longo da discografia da banda, em meio ao caos sonoro do Ween, era possível perceber uma faceta do compositor voltada às músicas acústicas e de letras pessoais e reflexivas. É este lado que o músico decidiu trazer à tona em seu primeiro disco solo, “Marvelous Clouds”.

Despindo-se de seu personagem Gene Ween, o cantor assina o álbum com seu nome real, Aaron Freeman, deixando claro que este é um projeto pessoal. O curioso é que, apesar disso, ele decidiu não apresentar canções próprias, mas sim, prestar homenagem a um outro músico, o compositor e poeta Rod McKuen. A ideia veio do produtor do álbum, Ben Vaughn, que já havia trabalhado com Aaron no disco “12 Golden Country Greats” do Ween. Quando o cantor conversou sobre gravar um disco solo, o produtor sugeriu que ele interpretasse Rod McKuen, um músico que teve destaque nos anos 60, quando sua música foi gravada por artistas como Frank Sinatra e Johnny Cash, mas que foi esquecido com o passar do tempo. Quando Aaron escutou o trabalho de McKuen, encontrou logo algumas ligações com a música criada por ele e decidiu que o material era perfeito para o seu primeiro trabalho solo.

As 13 faixas do disco são uma viagem pela mente dos dois músicos, já que Aaron soube muito bem botar sua personalidade na interpretação dessas singelas canções folk. A voz foi o foco principal: o cantor concentrou-se na arte de criar harmonias vocais, deixando os instrumentos para músicos contratados. Diferente do que costuma fazer no Ween, o vocalista não utilizou efeitos na voz, optando por uma abordagem mais limpa e direta. Os instrumentais também foram arranjados de forma simples, mantendo um clima acústico e despretensioso, com ares hipongas e, às vezes, até meio cafonas. As letras são emotivas e confessionais, versando sobre amor, guerra, solidão e busca pessoal. A poesia de McKuen também aparece no disco, primeiro no poema musicado “Pushing the Clouds Away” e depois na leitura de “Paris, Three” ao final da última música do álbum, “The World I Used to Know”.

A aposta de Aaron Freeman no repertório de Rod McKuen foi realmente certeira. Tenho escutado o álbum incessantemente e recomendo a todos que experimentem essa jornada. No site Stereogum, o disco pode ser ouvido na íntegra:
http://stereogum.com/1019902/stream-aaron-freeman-marvelous-clouds/album-stream/

Aaron Freeman já declarou que está pensando em um segundo disco, dessa vez com composições próprias. Aguardaremos ansiosamente!

aaronfreeman

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