Jello Biafra dá o recado!

Jello Biafra em POA.jpg
imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Se o estádio do Beira Rio foi o cenário escolhido para receber o rock de arena de Paul McCartney, nada mais apropriado que o palco do Beco para acomodar o punk rock caótico de Jello Biafra. Diferente do beatle, Biafra sempre preferiu se esquivar da luz do mainstream e se manter na obscuridade do underground, tudo em virtude de manter intacta a sua música de letras ácidas e forte postura política.

Na noite de terça-feira (27/03), o músico aterrissou em Porto Alegre para apresentar o repertório de seu novo projeto, o grupo Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine. Com apenas um álbum (“The Audacity of Hype”, de 2009) e um EP (“Enhanced Methods of Questioning”, de 2011) lançados, a banda não parece querer descansar tão cedo. No setlist, novas composições já pipocavam. O show teve início com três delas, “Brown Lipstick Parade”, “John Dillinger” e “Barack Star O’Bummer”, onde o compositor critica o presidente dos Estados Unidos por ser um homem de muito discurso e pouca ação.

Do disco de estreia, destacaram-se “Electronic Plantation”, “Three Strikes” e “Pets Eat Their Masters”, todas cantadas por boa parte do público. Do ótimo EP lançado ano passado, foi pinçada a excelente “The Cells That Will Not Die”. É impossível não ser contagiado pela energia da banda e pela presença de palco do cantor. Com suas muitas caretas e mímicas, Jello Biafra faz lembrar que ele é o responsável por colocar o deboche no punk.

É claro que não faltaram alguns dos clássicos do Dead Kennedys. Estiveram presentes “California Über Alles”, “Holiday in Cambodia”, “Nazi Punks Fuck Off” e “Too Drunk to Fuck”, todas ovacionadas pelo público e com direito a muitos mergulhos de cima do palco, inclusive do próprio cantor, que se jogou umas duas ou três vezes na galera.

Depois de dois retornos ao palco, a banda terminou o show com a última faixa do disco, “I Won’t Give Up”. No final da música, enquanto as guitarras distorcidas se dissipavam no ambiente, muitas vozes entoavam como um mantra o refrão: “I won’t give up/It’s not an option”. E Jello deixou o seu recado.

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