O amigo do João Pedro

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por Cassiano Rodka

Conheci o Filipe Catto através de um amigo em comum, o João Pedro Madureira. Ele devia ter uns 18 anos e era um rapaz simpático e um tanto tímido. O João Pedro me contou que ele tinha uma banda e que cantava muito bem e lá fui eu conferir o som deles. A banda se chamava Catto e Os Corujas e, logo na primeira vez que sentei para escutar as quatro faixas demo dos caras, fiquei impressionado com a voz daquele garoto. Era uma senhora voz, límpida e melodiosa, usada com muita emoção e domínio pelo seu dono. Logo que terminei de ouvir as canções, deixei um recado para o amigo do João Pedro em uma rede social: “Cara, tu és a nova Elis Regina”.

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imagem: Cassiano Rodka

De lá pra cá, muita coisa se passou. Acabamos trabalhando juntos em uma empresa de webdesign na mesma época em que ele gravou o primeiro EP, “Saga”, uma forte amostra do seu potencial musical. As composições próprias eram extremamente maduras, construídas em arranjos tangueiros e letras dramáticas. Decidindo focar sua atenção na carreira musical, ele se mudou para São Paulo e não demorou muito para seu talento ser descoberto. Em uma apresentação ao vivo, o diretor musical da Globo, Mário Rocha, escutou a canção “Saga” e convidou Filipe a integrar a trilha sonora da novela Cordel Encantado. Fez diversos shows, colecionou resenhas elogiosas, assinou contrato com a gravadora Universal e lança agora seu disco de estreia, intitulado “Fôlego”.

O show de lançamento aqui em Porto Alegre aconteceu no domingo, dia 6 de novembro, no Theatro São Pedro e eu fui lá conferir. E lá estava ele, o amigo do João Pedro, entrando no palco do principal teatro da cidade com segurança e tranquilidade, como quem chega em casa. E durante as duas horas de show, Filipe Catto comandou o espetáculo com muito carisma e desenvoltura, enfeitiçando o público com a sua voz, desde os afinadíssimos agudos até os charmosos sussurros. As 15 composições do disco foram intercaladas com interpretações de artistas que claramente influenciaram o cantor, desde um emocionado medley de PJ Harvey com Nina Simone até uma versão intimista de “Luz Negra”, de Jards Macalé.

A banda que acompanha o cantor trabalha muito bem a dinâmica das canções, dando espaço para a voz de Filipe Catto dançar conduzindo a melodia. As novas músicas misturam tango, MPB, jazz e rock, tendo um sabor ao mesmo tempo clássico e novo. Entre as minhas preferidas da noite, a bela e silenciosa “Redoma” foi perfeita para destacar a voz de Filipe enquanto “Juro por Deus” mostrou a sagacidade de Catto como letrista. O cantor entoou também canções em inglês, como a sua embriagada composição “Johnny, Jack & Jameson”, e em espanhol, como a cover de “Piensa en Mi”, da trilha sonora do filme “De Salto Alto” de Pedro Almodóvar. O hit da novela, “Saga”, fechou o show sob gritos de aprovação e foi cantado em coro pela plateia. No bis, a primeira faixa de “Fôlego”, “Adoração”, também estava na boca da galera, sendo entoada em jogral com o cantor.

O CD consegue captar muito bem o som do apresentação, pois foi gravado ao vivo no estúdio, mantendo a naturalidade da interação entre os músicos. É certamente um dos lançamentos do ano e merece ser escutado com toda atenção. E se o amigo do João Pedro aparecer na sua cidade, não tenha dúvidas: corra para lá que a noite vai ser pura poesia.

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imagem: Cassiano Rodka

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