Os Três Mosqueteiros

The Three Musketeers 2011 01.jpg

por Pedro Cunha

E vocês já viram a coleção fantástica sobre cinema europeu que a Folha de São Paulo está disponibilizando? Se não viram ainda, deem uma olhadinha: http://cineeuropeu.folha.com.br/. A coleção é bem variada e pega desde Metropolis (1927), do Fritz Lang, até Volver (2006), do Almodóvar. Cada filme ainda é acompanhado por um livrinho muito bacana, que fala do diretor, do filme, dos atores principais, das trilhas sonoras… 25 filmes de 25 diretores diferentes, quase todos eles clássicos. Nem precisa perguntar, é claro que eu estou fazendo a coleção… e por que não comprei inteira? Ah, vai dizer que não é bem mais bacana comprar um filme por semana? Ficar esperando o lançamento, ir buscar, voltar para casa com o livrinho… as vezes já lendo o livrinho no ônibus. Enfim, fica a dica. Há dois anos a Folha tinha feito uma outra coleção, “Clássicos do Cinema”, que eu também fiz (https://secure.folha.com.br/folha/classicosdocinema/manutencao.asp). Posso garantir que valeu a pena.

Tentando correr atrás, pelo menos um pouco, dos lançamentos que eu andei deixando para trás, ontem fui assistir “Os Três Mosqueteiros” (The Three Musketeers, Paul S. W. Anderson, 2011). E era melhor, enfim, não ter ido. Eu tinha visto o trailer e tinha imaginado uma releitura do clássico nos mesmos moldes que Guy Pearce fez com Sherlock Holmes (Sherlock Holmes, 2010). E eu realmente acho que ele tentou isso. Não tinha como dar errado, certo? Quer dizer, o livro de Alexandre Dumas é fantástico e tem um ritmo alucinante, não dá para estragá-lo nem querendo, certo? Bom, ontem eu descobri que dá, sim. Tudo bem que eu não poderia esperar muita coisa de um diretor que é celebre pela série Resident Evil e por ter feito Alien VS Predador… mas ainda assim o resultado me surpreendeu de tão ruim.

O roteiro tem buracos. Muitos buracos. O encadeamento simplesmente não faz sentido, é forçado. Forçado até é elogio, porque isso pressupõe que ele existe, o que eu ainda não tenho certeza. Os personagens mais profundos do livro, Athos e Milady, são de uma simplicidade franciscana nesse filme. Nem mesmo a Mila Jovovich, que além de ser linda tem bons trabalhos, conseguiu salvar Milady de Winter. Já Matthew Macfadyen, o Athos, não consegue passar nada além de um… descornado. Dentre os atores salva-se (em parte) Christoph Waltz com um Cardeal Richillieu razoável (mas muito, muito parecido com o personagem de Waltz em Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, Tarantino, 2009). O pobre do menino (Logan Lerman) que escolheram para fazer o D´Artagnan não tem culpa se o personagem ficou ridículo com o corte que o roteiro fez. Nem dá para avaliá-lo. E o fim do filme… alguém entendeu? O que o Buckinghan está indo buscar? Os diamantes? Mas ele nem sabia deles… O Airship? Mas ele tem trocentos… enfim, teremos a sequência, o fim do filme já garante.

Fiquei sinceramente com saudades da versão de Stephen Herek, de 1993. O drama do Athos ali é muito mais bem explorado por um amargurado Kiefer Sutherland, que está ótimo no papel. Sim, você não vai conseguir ver o filme sem pensar no Jack Bauer. E se eu te disser que o mosqueteiro religioso, Aramis, aquele que quer ser padre, foi interpretado por Charlie “Harper” Sheen? Pois é, eu sei. Mas o filme é bom e Chris O’Donnel faz um D´Artagnan bacana assim como Rebecca de Mornay é Milady de Winter na medida certa.

“Os Três Mosqueteiros” (2011) é diversão rasa de Sessão da Tarde, no maior estilo “essa turminha endiabrada apronta mil e uma confusões num clima de muita azaração”. Tropeça em todos os clichês possíveis e inventa mais alguns, se é que isso é possível. “Ah, você está detonando demais o filme!”, você pode dizer. Acredite, é de menos. E eu nem falei em airships.

Fica também a dica de uma reflexão bem humorada sobre clichês de cinemão que eu achei no blog das Garotas Nerds, que foi tirado do Festival Internacional de Cinema Latino de Nova Iorque. Watch Films, not Movies: http://garotasnerds.com/cinema/cliches-do-cinema/

the-three-musketeers-2011-02
Até o poster do filme não é original…

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