Björk, uma cientista da música

bjork-biophilia

por Cassiano Rodka

Um banquinho e um violão definitivamente não são suficientes para Björk. A cada novo lançamento, a compositora islandesa procura levar a sua música a caminhos poucas vezes – ou nunca – traçados antes.

Em seu novo projeto, intitulado “Biophilia”, a cantora busca unir música, tecnologia e natureza. Para tal, Björk reuniu músicos, designers e luthiers, que ajudaram a compositora a criar não só novos sons, mas novos instrumentos musicais. Assim, foram inventados o Sharpsichord (uma espécie de caixinha de música gigante que mistura uma harpa a vários gramofones) e o Gameleste (uma celesta com gongos de bronze). Aliando música à ciência, foram criados ainda dois curiosos instrumentos: um teclado que produz raios através de uma bobina de Tesla e uma harpa que funciona com o movimento de quatro pêndulos de mais de dois metros de altura.

Para apresentar seu novo projeto, Björk preparou um espetáculo que estreou em Londres no dia 27 de junho. Com uma peruca ruiva e vestido roxo, Björk surgiu no palco parecendo uma Elba Ramalho hi-tech. O visual excêntrico se mistura aos diversos telões e a uma cuidadosa iluminação, que garantem um excelente espetáculo para os olhos. A música é delicada e cheia de espaços, perfeita para dar destaque à voz da cantora. Um coro feminino de 24 vozes acompanha Björk em várias canções, injetando grandiosidade às melodias. Mas os protagonistas do show, a meu ver, são mesmo os instrumentos criados especialmente para o projeto. A sonoridade muito particular de cada um é aliada ao efeito visual que eles proporcionam, tornando as performances únicas e memoráveis. É o que acontece ao escutarmos pela primeira vez o instrumento que usa uma bobina de Tesla, que é basicamente um teclado/sintetizador que produz graves poderosos com a ajuda de raios que são produzidos em uma grade acima do instrumento. Já a harpa de pêndulos produz um som mais delicado enquanto Björk canta entre o balanço dos enormes braços de madeira.

O show agradou crítica e público, criando expectativa para o lançamento do disco, que está previsto para setembro. Foram criados também aplicativos para iPhone e iPad onde os usuários poderão brincar com os sons dos instrumentos e fazer novos arranjos para as músicas. Para Björk, música não é só um disco, mas uma experiência de imersão total.

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