Pequeno ensaio sobre a coragem de não responder a e-mails

coragem-de-nao-responder-emails
imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Não discordo do fato de que o e-mail, ou correspondência eletrônica, tenha vindo para o bem da humanidade. Desde meados da década de 90 do século XX, no Brasil, se assiste ao boom da Era Digital, que trouxe consigo a facilidade da correspondência rápida por meio do e-mail. Eu amo o e-mail.

O que tenho percebido, porém, nos últimos dois ou três anos, com o uso a cada dia maior dos smartphones, é a paranoia coletiva que se instaurou com relação à nossa correspondência eletrônica de cada dia. Sou uma vítima desse aflitivo mal, e por isso, posso falar sobre isso com autoridade!

Você já parou para pensar quanto tempo leva de seu curto dia para responder a sua pilha gigante e virtual de cartas eletrônicas? Pode ter certeza de que a resposta incluirá sempre algo em torno de mais de trinta minutos, no mínimo. Parece pouco? Mas não é.

A vida no cyberspace cria-nos hoje este inconveniente: tudo parece urgente e para já, para logo, para aquele exato momento. O sujeito envia-lhe um e-mail, e, de regra, espera uma pronta resposta. Principalmente quando se trata de assuntos de trabalho. Por óbvio que é preciso responder a requisições de um chefe ou de um cliente importante, porém, é necessária muita cautela. Como a comunicação eletrônica é fácil, rápida e indolor, a coisa flui super naturalmente, e o sujeito mais cara-de-pau pode ser capaz de consumir um dia de trabalho inteiro sugando informações do pobre interlocutor cibernético.

Tenho ouvido vários comentários de alunos e de pessoas que comigo convivem sobre essa loucura da enxurrada de e-mails a serem respondidos todos os dias. As pobres pessoas mal conseguem trabalhar, pensando em tudo que precisam responder…
A pergunta que coloco agora, leitor, portanto, é a seguinte: essa doideira toda é realmente necessária? Ou estamos virando verdadeiros fiscais do trabalho e da vida pessoal alheia por meio dos aparatos de comunicação virtual – e aqui incluo obviamente as redes sociais, como o aclamado Facebook, que também possuem pelo menos maneiras de comunicação quase instantânea: a Wall, o “muro” onde todo mundo publica suas opiniões, conversas e divulga e compartilha o seu estado de espírito no momento; as mensagens, que são espécies de e-mails dentro do Facebook, e o chat, instrumento de comunicação em tempo real. Mas o Facebook é um capítulo à parte, com história que pretendo contar em outra crônica.

Voltando aos e-mails, dia desses, conversando com meu marido, ouvi dele uma sábia assertiva (como de regra o são todas as assertivas dele): há e-mails que não precisam ser respondidos. Como? I’m sorry, what, baby? Sim, há e-mails que servem apenas para informar o destinatário de algo, ou servem para contar-lhe uma história ou um fato ocorrido. Ou seja, de acordo com a teoria dele, somente e-mails que contêm perguntas ou solicitações necessitariam de respostas. Isso mesmo. É simplérrimo, mas não é genial?

Desde aquele dia, eu passei a fazer uma rigorosa seleção entre as cartas eletrônicas que recebo, para ver as que efetivamente precisam de resposta. Se a pessoa apenas me responde algo, sem perguntar coisa alguma que necessite de resposta, eu simplesmente leio, e sigo minha vida. Porém, claro, há as exceções. Há pessoas que contam histórias super interessantes, que, mesmo sem conter pergunta alguma, merecem um comentário! Óbvio que seu critério vai ser puramente subjetivo, mas, e quem se importa?

Acredite, leitor, a metodologia funciona, e muito bem! Eu estou economizando um tempo precioso e estou super tranquila com minha decisão. Sem culpas e sem constrangimentos: experimente, vale a pena. Use esse tempo economizado em respostas inúteis em coisas úteis: leia um livro, passeie com seu cachorro, brinque com seus filhos, saia para almoçar com seus amigos, tome um café com sua mãe, vá ao cinema com seu marido, enfim, aproveite a vida, companheiro!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s