127 Horas

127horas

por Clarice Casado

“What’s the use of worrying?
What’s the use of hurrying?
What’s the use of anything?”

(“Mrs. Vanderbilt”, Paul McCartney)

De vez em quando, os leitores sabem, eu dou de me meter a crítica de cinema, e tento roubar um pouco a cena do pessoal encarregado do assunto aqui no PáginaDois. Neste momento, o condutor da coluna de cinema é o Pedro Cunha, historiador e excelente entendedor e apreciador da sétima arte. Pedro, me perdoa, mas hoje a batuta cinematográfica é minha: vou falar de “127 Horas”, se me permites, porque eu não conseguiria continuar a viver tranquila se não o fizesse. Porém, leitores, como não sou crítica de cinema, o que faço é apenas jogar um olharzinho todo meu sobre as películas que me tocam… Assim, here we go!

Esqueçam tudo que vocês ouviram comentar ou falar sobre o filme. Guardem tudo em alguma gaveta bem trancada de suas mentes. Vá ao cinema com a certeza de que as informações ficaram lá, e de lá não vão sair. Mesmo que não dê para trancar tanto assim, não tem problema. Eu fui assistir sabendo tudo sobre o filme. Porque é baseado em uma história real, e eu fui pro Google pesquisar. Ainda assim, me surpreendi e fiquei sem ar durante toda a projeção, e caí em prantos quando os créditos finais começaram a rolar na tela. Um filme que faz isso com alguém não é um filme: é um marco. Para mim, daqueles que dividem águas na tua vida.

“127 Horas” não é apenas um filme sobre montanhismo, como vocês já devem ter ouvido por aí. Mas também não é simplesmente um filme sobre coragem. É um filme sobre coragem, sim, mas na sua mais pura essência. A coragem genuína, a verdadeira, aquela que surge nos momentos de verdadeiro desespero. É aquela bravura que poucos de nós conhecem. Achamos que a conhecemos, apenas. É sobre uma coragem que dorme em qualquer um de nós, e que acorda doida diante de situações muito inesperadas ou muito desconhecidas. É um filme sobre o que somos capazes de fazer para nos salvarmos de nós mesmos. É sobre superar problemas e superar-se, em todos os sentidos. É sobre a absoluta inutilidade do medo em nossas vidas. O medo é somente uma criação de nós mesmos. Não sabemos do que temos medo, até que o encaramos de verdade. Você tem medo de quê? De morrer? Não perca o seu tempo. Se tiver que morrer, irá morrer, da maneira mais boba ou da maneira mais horrorosa. E se tiver que permanecer vivo, por mil anos, assim será, mesmo que a vida te coloque à prova de um modo absolutamente inesperado. E é esta prova que irá resumir a sua existência: ou você veio para lutar, ou não.

É aí que “127 Horas” deixa o espectador de fato encurralado: ok, o destino de todos nós está traçado, não podendo ser mudado. Em tese. Mas e se você interferir? A ideia do filme é também a de que você pode interferir, e muito. Não há por que passar uma vida toda pensando no que poderá acontecer com você amanhã, porém, se algo que não estava em seus planos ocorrer, há como se fazer de tudo para mudar o que já estava escrito. Ou ao menos, há espaço para se reverter algo que parecia inevitável, dentro de determinadas circunstâncias.

127 Horas é de tirar o fôlego, literalmente. Porque, durante todo o filme, o espectador se questiona sobre o que faria naquela exata situação. E é essa terrível dúvida, é essa dilaceradora dúvida que faz com que o filme seja único, seja especial, seja a experiência de uma vida. Vá assistir, e me conte depois.

E aí, Pedro, ficou bom?

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